♫AMIGOS DO AFRO CORPOREIDADE♫

quinta-feira, 30 de julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

♫Vejam A Arte e a Cultura da Diáspora Africana no XV Encontro Internacional de Capoeira Angola da FICA - "Tradição, Herança e Herdeiros"♫

*Fundação Internacional de Capoeira Angola FICA-BH*
♫XV Encontro Internacional de Capoeira Angola da FICA
"Tradição, Herança e Herdeiros"
De 30/07 a 02/08/2009 - Belo Horizonte - MG - Brasil♫

Sobre a Fundação Internacional de Capoeira Angola - FICA-BH
Criada em 1995, pelos mestres Jurandir, Cobra Mansa e Valmir, a Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) realiza um trabalho de preservação, valorização e difusão da capoeira angola pelo mundo, unindo ações sociais e culturais para promover cidadania e desenvolvimento humano. No Brasil, as suas sedes principais concentram-se nas capitais de Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). A FICA também está presente em dez cidades dos EUA, no México, Costa Rica, Suécia, Alemanha, Dinamarca, Japão, Rússia e Moçambique. Em Belo Horizonte, a FICA-BH funciona sob a coordenação do Mestre Jurandir e realiza trabalhos com públicos de diversas idades, além de atividades sócio-educativas com crianças e adolescentes.

PRINCIPAIS ATIVIDADES DO EVENTO:

(30/07)No primeiro dia do evento haverá a Abertura Solene com o Embaixador do Senegal no Brasil, Mestre Jurandir e demais Autoridades.

(31/07)O Segundo dia Contará com Oficinas Simultâneas de Capoeira Angola; Palestra: O movimento Negro No Brasil com Marcos Cardoso; Roda de Capoeira; Mostra de Vídeo.

(01/08) No terceiro dia Acontecerão Oficinas Simultâneas de Capoeira Angola; Palestra “Herança na cultura Yorubá” - Michael Olusegun Akinruli; Roda de Capoeira Angola para crianças e adultos; Mostra de Vídeo.

(02/08) O Último dia será de: Oficinas simultâneas de Capoeira Angola; Palestra “Moçambique e Brasil: um olhar sobre o outro? – Integração cultural através da música.” - André Sampaio (FICA-RJ) Convidado: Isaac Mandlate (FICA-Moçambique); Oficina de Dança-Afro /Percussão (Jorge Alabê); Roda de Capoeira Angola e Festa de Encerramento.

LOCAL: A abertura será no Centro Cultural da UFMG (neste 30/07) e o restante do evento será no Espaço Veredas, em Venda Nova (vejam os endereços no blog da FICA, na parte da Programação). A Sede da FICA-BH é na Rua Itatiaia, 86, bairro Bonfim (Em frente à Rádio Itatiaia).

CONTATOS / Contacts: 9864 7318/ 8818 3596(Mestre Jurandir)9931-2486(Treinel Thiago).

Email: ficabh@gmail.com /quilombofica@yahoo.com/

Maiores Informaçõeshttp://www.ficabh.blogspot.com/

domingo, 26 de julho de 2009

♫1º Mês Do *BLOG AFRO-CORPOREIDADE* Agradecimentos aos Amigos, Seguidores, Fãs, Usuários♫

Foto http://robertokuelho.blogspot.com/

♫À Todos Que Deram Forças, Sugestões, Toques E Acessos Em Geral Muito Obrigada!!! Espero Continuar Esta Proposta Contando Com A Essencial Presença De Vocês! Para Comemorar No Jeito Afro-Brasileiro De Ser Deixo Um Samba Repleto de Axé Para Ouvir e Dançar No Estilo Gafieira Carioca. Um Lugar Que Conheço de Perto♫

O Meu Lugar (Composição:Arlindo Cruz e Mauro Diniz)
O meu lugar
É caminho de Ogum e Iansã
Lá tem samba até de manhã
Uma ginga em cada andar
O meu lugar
É cercado de luta e suor
Esperança num mundo melhor
E cerveja pra comemorar
O meu lugar
Tem seus mitos e Seres de Luz
É bem perto de Osvaldo Cruz,
Cascadura, Vaz Lobo e Irajá
O meu lugar
É sorriso é paz e prazer
O seu nome é doce dizer
Madureiraaa, lá lá laiá, Madureiraaa, lá lá laiá
Ahhh que lugar
A saudade me faz relembrar
Os amores que eu tive por lá
É difícil esquecer
Doce lugar
Que é eterno no meu coração
E aos poetas trás inspiração
Pra cantar e escrever
Ai meu lugar
Quem não viu Tia Eulália dançar
Vó Maria o terreiro benzer
E ainda tem jongo à luz do luar
Ai que lugar
Tem mil coisas pra gente dizer
O difícil é saber terminar
Madureiraaa, lá lá laiá, Madureiraaa, lá lá laiá, Madureiraaa
Em cada esquina um pagode num bar
Em Madureiraaa
Império e Portela também são de lá
Em Madureiraaa
E no Mercadão você pode comprar
Por uma pechincha você vai levar
Um dengo, um sonho pra quem quer sonhar
Em Madureiraaa
E quem se habilita até pode chegar
Tem jogo de lona, caipira e bilhar
Buraco, sueca pro tempo passar
Em Madureiraaa
E uma fezinha até posso fazer
No grupo dezena centena e milhar
Pelos 7 lados eu vou te cercar
Em Madureiraaa E lalalaiala laia la la ia...Em Madureiraaa

sábado, 25 de julho de 2009

*CAMPEONATO AFRICANO DAS NAÇÕES (CAN) ANGOLA 2010, FUTEBOL COM DIREITO AO MELHOR DA MÚSICA AFRICANA*

*Por Denise Guerra*

A história do Campeonato Africano das Nações (CAN) começa em 1957, e a primeira edição disputou-se de 10 a 16 de Fevereiro. O Sudão foi o país que teve a honra de dar o pontapé inicial à maior manifestação futebolística do continente berço. Na prova que não contou com eliminatórias de acesso, apenas três seleções estiveram presentes. Sudão, na condição de anfitrião, Egito e Etiópia. A África do Sul era a quarta, mas foi excluída devido ao apartheid, que assolava o país.

Nos anos seguintes o CAN ainda não tinha uma definição quanto a periodicidade das disputas que aconteceram com variações de tempo entre 1, 2 e 3 anos. Só em 1968, na 6ª edição, ocorrida na Etiópia é que o campeonato teve sua periodicidade marcada a cada dois anos. No cômputo total dos títulos o Egito tem a hegemonia com 6 campeonatos vencidos, seguindo-se com 4 taças para Ghana, 3 para Camarões, 2 para Nigéria e um para os seguintes países: Etiópia, Marrocos, África do Sul, República Democrática do Congo, Congo Brazzaville, Costa do Marfim, Argélia, Sudão, Zaire e Tunísia.

Nesta 27ª edição do CAN que ocorrerá em 2010, Angola será a anfitriã. Há 20 países disputando 16 vagas. Os países luso-africanos tiveram pouca participação nestes eventos do futebol africano, certamente pelas graves complicações política ocorridas como as lutas de libertação e as guerra civis que se findaram recentemente como é o caso de Angola. Por tanto, Angola está de Parabéns mostrando sua energia renovadora sediando um evento da dimensão do Campeonato Africano das Nações (CAN)!!!

*O CAN TAMBÉM É CULTURA!!!*
A cultura enquanto conjunto de hábitos e costumes de um povo permite evidenciar a forma como cada povo celebra as suas vitórias, daí que muitos países africanos têm a sua forma própria de celebrar. A música enquanto forma de expressão cultural pode permitir a difusão pelo continente do CAN Angola 2010. Para tal, o Saxofonista de Jazz Sul Africano McCoy Mrubata foi nomeado embaixador do COCAN 2010. Demais músicos como Salif Keita, Manu Dibango, entre outros foram contactados. A intenção é promover o encontro das artes africanas em geral num mesmo evento tendo a gorduchinha como agregadora. Os Angolanos esperam que seus ilustres músicos como Paulo Flores, Elias Diakimuezo, Bonga Tuenda, Samanguana também possam fazer soar suas Sembas, Kazukutas, Kizombas e os ritmos contemporâneos de Angola.
Que venham os músicos africanos com seus cantos e encantos!!! Que role a bola na melhor das celebrações entre diferentes culturas irmãs!!! Axé Angola!!! Warethwa CAN 2010!!!

*Mascote do CAN ANGOLA 2010*

Fontes:
http://www.can-angola2010.com/
http://jornaldeangola.sapo.ao/

quarta-feira, 22 de julho de 2009

♫Danças Brasileiras De Matriz Africana: Quem Dança Seus Males Espanta! ♫

*Por Denise Guerra*

Imagem Maxixe por Calixto: http://www.bando.do.chorao.free.fr/
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A arte é muito presente na vida dos africanos. Todos os acontecimentos da vida africana são comemorados com música e especialmente com dança, sendo uma interdependente da outra; o que não faltam são os motivos: fertilidade, nascimento, plantio ou colheita, saúde, felicidade, doença e até a morte. A dança originou-se na África como parte essencial da vida nas aldeias; ela interrompe a monotonia e a estrutura do tempo. A dança pode acentuar a unidade entre os membros de um grupo social, sendo possível a participação de homens, mulheres e crianças.
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As danças de origem africana geralmente são feitas em círculos ou em fileiras. Os participantes comumente dançam descalços mantendo a tradição de respeito a terra, pois, na visão do homem africano pertencemos a terra assim como nossos ancestrais. Poucas vezes se dança sozinho, há grande preferência pelas danças de pares. Os dançarinos batem palmas, cantam, improvisam, desafiam, mostram suas habilidades sonoro-corporais. Assim como a música ou o teatro, a dança é uma forma de contar histórias.
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Conforme a teoria musical, o ritmo é a organização do tempo do som, e as músicas e danças de origem africanas são fundamentalmente rítmicas. O ritmo é uma maneira de transmitir o movimento da vida, como as batidas do coração. O som, cujo tempo se ordena no ritmo, no sistema yorubá é considerado um condutor de axé (força vital) por excelência. Música, dança, mitos e objetos sagrados em conjunto, são encarregados de acionar o processo de interação entre os homens e as divindades, ligando o mundo visível e o mundo invisível (o Aiê e o Orum em nagô).
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Num universo de centenas de danças originárias da cultura africana no Brasil, escolhi algumas para este palco iluminado de palavras dançantes. As danças africanas no Brasil começam a ser contadas e dançadas pelos batuques, um termo comumente aplicado pelos portugueses aos ritmos e danças dos africanos, que por extensão, designam certas danças afro-brasileiras e era também denominação genérica para os cultos afro-religiosos. Segundo Lopes (2006) “do batuque dos povos bantos de Angola e do Congo originaram-se os principais ritmos e danças do Brasil e das Américas, como o Samba e o Jongo".
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Dançar imitando os movimentos do cotidiano era o caso do Banguê ou Bangulê uma dança do Pará. Ela surge logo após a abolição da escravatura no município de Cametá, através da chegada dos negros escravizados que haviam fugido dos engenhos de cana-de-açúcar da Ilha de Marajó. A palavra "Banguê" significa “padiola em que se conduziam cadáveres de escravos negros” e ainda "engenho de açúcar", por isso a dança também é conhecida como "dança dos engenhos".
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Para vivenciar as danças afro-brasileiras há que se expor a proximidade dos corpos no embalo dos ritmos sincopados, ao aumento da pulsação e da sensação de prazer no movimento e na troca íntima com o par, além de desvendar uma pungência alegre e contagiante. Com a licença poética do compositor Djavan... “Dançar é mover o dom do fundo de uma paixão, seduzir as pedras, catedrais, coração...”.
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Nesta dança, homens e mulheres se movem com movimentos ondulatórios imitando o melado que desce do tacho superaquecido quando se está fazendo o mel de cana. Em alguns momentos da apresentação, os participantes se movem de forma mais rápida, fazendo representar a alegria dos escravos quando ocorriam as paradas nos intervalos das atividades no engenho. A musicalidade presente no Banguê relembra a vida, o sofrimento e a identidade cultural dos negros escravos que trabalhavam em engenhos do Pará.
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Dançar pode ser sagrado: o Jongo é uma dança de roda e de umbigada que veio com os africanos das regiões do Congo e de Angola, trazidos para o trabalho escravo na região sudeste brasileira. O Jongo, também chamado de Caxambu, é uma dança voltada para o divertimento, mas, é permeada por aspectos religiosos. Além da dança, o Jongo traz em sua música “os pontos”, verdadeiros enigmas para serem desamarrados por quem entende seus fundamentos. No tempo dos escravos só dançavam os adultos, contudo, com a necessidade de preservação deste patrimônio cultural hoje é dançado até por crianças. O jongo é acompanhado dos tambores Tambu e Candongueiro, dos Guaiás (chocalhos) e da Angoma-puíta (cuíca). O canto é responsorial, há uma marcação com o pé direito quando os casais se encontram, e a improvisação corporal revela os movimentos gingados no prazer do encontro.
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O grupo cultural Jongo da Serrinha no Rio de Janeiro conta que “o jongo influenciou decisivamente o nascimento do samba no Rio de Janeiro”, mas, seus aspectos místicos restringiram-no aos ambientes familiares ao contrário do samba que ganhou espaços em todo o país tornando-se nosso cartão de visitas.
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O Lundu, descendente direto dos batuques africanos, é considerado a primeira música afro-brasileira. A dança do Lundu de tão sensual que era, mexeu profundamente com os corpos e com a moral da sociedade do período colonial brasileiro. Desta forma, foi perseguido e proibido pela corte portuguesa e pelo clero, entretanto, como tudo que é forma de cultura popular continuou a ser dançado às escondidas.
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A prática da dança do Lundu envolve uma encenação do assédio e da conquista sexual de um homem sobre uma mulher. Em grande parte da dança a mulher esnoba o pretendente, usando de meneios que visam seduzi-lo. Ao final da cena deve ocorrer o clímax do ato sexual, quando o casal pode até deitar-se no chão para representar melhor o dito ato e depois os casais voltam a dançar em pé no salão normalmente. O Lundu que chegou aos salões evitava a última cena, mas, não abdicava da sensualidade em demasia.
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O acompanhamento musical já era mesclado de percussões com as cordas (banjo, cavaquinho, rabeca) e instrumento de sopro como o clarinete. O Lundu foi uma das primeiras danças brasileiras de pares enlaçados, pois, até então se dançava umbigada que é dança de pares soltos. No século XIX quando o Lundu tornou-se conhecido, os ritmos ainda não estavam muito bem definidos, desta forma, há alguns questionamentos sobre as semelhanças e diferenças entre o fado, que tendo nascido em terras brasileiras foi se desenvolver em terras lusitanas, e o lundu brasileiro que fez sucesso em Portugal. Tinhorão (1975) cita que há autores afirmando que o fado seria o segundo nome do lundu.
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A maioria das danças tem seus estilos associados a um gênero musical específico, todavia, com a dança do Maxixe isto não aconteceu. O Maxixe foi o primeiro tipo de dança de salão urbana surgida no Brasil. Era dançado em locais que não atendiam a moral e aos bons costumes da época, como em forrós, gafieiras da Cidade Nova e nos cabarés da Lapa, no Rio de Janeiro, por volta de 1875. Entre os ritmos que embalavam o Maxixe estão o tango, a habanera, a polca ou o lundu.
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O provocante Maxixe era dançado com os pares enlaçados pelas pernas e braços, apoiando-se pela testa. Essa maneira de dançar lhe valeu o título de “a dança excomungada”. Foi perseguida pela polícia, igreja, chefes de família e educadores. Para que pudessem ser tocadas em casa de família, as partituras de maxixe traziam o nome inadequado de "Tango Brasileiro". Só no final do século XIX, o maxixe foi considerado um gênero musical, quando o espírito nacionalista brasileiro aflorado clamava por um aspecto cultural que nos identificasse como tal. Assim, as casas editoriais imprimiram às músicas com esta classificação a seguinte frase: "a primeira dança genuinamente brasileira".
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Para vivenciar as danças afro-brasileiras há que se expor a proximidade dos corpos no embalo dos ritmos sincopados, ao aumento da pulsação e da sensação de prazer no movimento e na troca íntima com o par, além de desvendar uma pungência alegre e contagiante. Com a licença poética do compositor Djavan... “Dançar é mover o dom do fundo de uma paixão, seduzir as pedras, catedrais, coração...”.
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REFERÊNCIAS
LOPES, Nei. Dicionário escolar afro-brasileiro. São Paulo: Selo Negro Edições, 2006.
SODRÉ, Muniz. Samba o dono do corpo. 2ª ed.- Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
TINHORÃO, José Ramos. Música popular brasileira de Índios, Negros e Mestiços. Petrópolis: Vozes, 1975.
GRUPO CULTURAL JONGO DA SERRINHA. Jongo da Serrinha. Org. Marcos André – Prefeitura do Rio de Janeiro : Rio Arte, 2002.
SITES
http://www.amazonia.com.br/folclore/danca.asp -acesso em 20/12/2008

http://brasilfolclore.com.br (acesso em 15/12/2008)
*
*Publicação em outros Espaços:
*http://www.africaeafricanidades.com
*http://www.africaemnos.com.br
*http://passeandopelocotidiano.blogspot.com
*Cadernos África e Africanidades Nº3 - Memória, Tradição e Oralidade.

terça-feira, 21 de julho de 2009

♫REDESCOBRINDO BRINQUEDOS CANTADOS NA AFRICANIDADE BRASILEIRA♫

*Por Denise Guerra*

http://images.google.com.br/

Todos os povos têm suas brincadeiras pertinentes às necessidades expressivas de cada cultura. Como sonhar acordado, brincar é expor-se de dentro para fora. Segundo a Musicoterapia o som tem propriedades físicas que incidem sobre o corpo humano de forma objetiva e subjetiva, movendo o sujeito afetivamente, interferindo no seu desenvolvimento bio-psico-social. Vamos fazer uma breve leitura de alguns brinquedos do folclore brasileiro que perpassam as instâncias da arte de brincar , cantar, dançar e imaginar.


Os brinquedos cantados surgem na espontaneidade da cultura popular. Geralmente são cantigas anônimas acompanhadas de movimentos expressivos, saltitantes e ou dramatizados. Nestes brinquedos em geral, as crianças imitam o mundo do adulto vivenciando emoções, sensações e conflitos como veículos de elaboração e amadurecimento.


Dos três povos que inicialmente formaram a cultura brasileira, o português trouxe maior influência para os brinquedos cantados. A oralidade que caracteriza o processo de transmissão das brincadeiras e brinquedos cantados de certa forma transformou as cantigas e os modos de brincar, ocorrendo a mistura dos costumes africanos com os lusitanos, além das variações regionais de uma mesma brincadeira (CASCUDO,1988). No entanto, os ritmos e danças africanas deram um tempero mais brejeiro ao legado lúdico brasileiro.


Até o século XIX as brincadeiras das crianças eram muito limitadas pela rigidez patriarcal imposta ao comportamento infantil, e porque os infantes eram vistos como mini-adultos. Freyre (2005) conta que muitas crianças brancas eram criadas pelas escravas africanas juntamente com seus filhos negros, os quais eram mais habilidosos com a natureza, mais dados a traquinagens e a criatividade devido a sua condição servil.


Um outro aspecto característico das brincadeiras infantis no tempo colonial brasileiro, é que as crianças ao acompanharem seus pais no labor cotidiano da casa grande ou do eito, repetiam em suas brincadeiras estes afazeres e também o contexto de violência vivido na época. (Freyre, 2005)

Nos brinquedos cantados encontra-se o canto, a poesia, a dança, a brincadeira, o compartilhar, devido a simplicidade musical, riqueza simbólica e ludicidade peculiar; as vivências através destes elementos lúdicos, conquistam a criança como aquilo que é próprio do seu tempo.

Os termos brincar e jogar são referenciados como sinônimos por Cascudo (1988). Nos principais idiomas internacionais (Inglês, Francês, Alemão e espanhol), brincar e jogar também serve para definir atividades artísticas como a interpretação teatral ou musical (Santa Roza,1993). Na língua portuguesa o termo "brincar" vem do latim vinculum e significa laço, união. No entanto é o termo lúdico da nossa língua, também proveniente do latim "ludus", que melhor abrange e define as atividades artísticas, culturais, brincadeiras e jogos. (ibid.)


Passando para o lado prático, vamos brincar com quatro exemplos curiosos do cancioneiro infantil brasileiro. O primeiro se chama “Uma, duas angolinhas”, é um brinquedo cantado tipo parlenda em roda, com as crianças sentadas, e um solista ao meio dando beliscos nas mãos de cada colega enquanto cantam as quadrinhas:


Uma, duas angolinhas, Finca o pé na pampulhinha
O rapaz que faz o jogo, faz o jogo de capão
Capão sobre capão, Fica aí mane joão
Aquele que tirar a mão por último, Vai leva um be-lis-cão.

Além do beliscão refletindo a idéia da galinha d’angola beliscando as mãos de cada participante, a protagonista da música, uma ave, é um dos mais importantes mitos iorubanos sobre a origem da criação do mundo; conta Lopes (2004) que “a galinha d’angola ciscou sobre as águas iniciais uma porção de terra e a espalhou por todas as direções fazendo nascer terra firme”. Por este mito e outras razões ela também é considerada a primeira iaô e é o animal mais importante dentro da tradição dos orixás.

No divertido brinquedo cantado “O Saci Pererê”, as crianças em pé na roda, devem cantar e imitar as habilidades do saci mostradas na música:

O Saci Pererê, pula numa perna só,
Ele toca o tambor, toca como ele só.
O Saci Pererê, pula numa perna só,
Ele toca o pandeiro, toca como ele só. (...)

Esta brincadeira é aberta a improvisações na letra, onde se podem colocar quantos instrumentos quiser para o Saci tocar e consequentemente para as crianças imitarem. O Saci Pererê, elemento tradicional no nosso folclore, aproxima-se de várias figuras da mítica iorubana como: Exu (em suas traquinagens); Arôni (duende iorubano de uma perna só, ligado a Ossãim, e que vive nas matas); e ainda é referenciado a uma palavra do campo semântico da magia e do sortilégio em ioruba “Ásasí”, conforme assinalado em Lopes (2004 e 2006).

Outro brinquedo cantado de significado muito expressivo é o Tangolomango; as crianças brincam em roda também para contagem de números decrescentes, no qual um participante deve deixar a roda ao final de cada verso. Eis algumas quadras desta cantiga:


Eram dez irmãs numa casa, Uma delas foi tocar o fole,
Deu um Tangolomango nela, E das dez ficaram nove.
Eram nove irmãs numa casa, Uma delas foi fazer biscoito,
Deu um Tangolomango nela, E das nove ficaram oito.
Eram oito irmãs numa casa, Uma delas foi amolar canivete,
Deu um Tangolomango nela, E das oito ficaram sete. (...)

A simbologia contida nesta brincadeira onde a cada momento uma criança deixa de fazer parte do grupo acometida pelo Tangolomango, vai de encontro as diversas referências a esta palavra como “Uma doença atribuída a feitiçaria, bruxedo, azar, infelicidade, morte” (LOPES, 2004). Nota-se que este assunto é bastante difícil para o entendimento das crianças e carregado dediscriminação e preconceito racial, social entre outros.


Como é de praxe, vamos terminar em samba com uma brincadeira muito conhecida no sudeste brasileiro, onde as crianças finalizam a música sambando conjuntamente na roda - como fazem os adultos.


Samba Lelê ta doente, Tá com a cabeça quebrada,
Samba Lelê precisava, É de umas boas lambadas,
Samba, samba, samba ô Lelê, Samba, samba, samba ô Lalá. (bis)

Nosso velho conhecido samba não poderia ficar de fora das brincadeiras das crianças. Samba é um nome genérico para várias danças brasileiras e para a própria música; contudo, foi registrado em Angola o verbo samba querendo dizer “cabriolar, brincar, divertir-se”; é remetido também a palavra semba de origem Bantu significando o mesmo que umbigada. A propósito, “Lê” é o nome do menor dos três atabaques da orquestra ritual dos candomblés jeje-nagô (LOPES, 2004). As crianças se divertem aprendendo e ensinando a dança do samba umas às outras. Este parece ser o maior objetivo dos brinquedos cantados: transmitir a cultura pela oralidade e pela corporeidade, favorecendo a vivência, a elaboração e o desenvolvimento da criança.


Buscamos neste trabalho retomar um pouco o tema da africanidade permeada em nossa cultura desde a infância. Há centenas de outros exemplos, mas, precisaríamos de um espaço específico para mostrá-los.


Acredito que dar à criança a oportunidade de brincar, cantar e dançar é investir num caminho de busca da essência do ato, da mente, da voz e do pertencimento inventando o prazer de ser feliz! Para ambientar o final deste artigo, deixo alguns versos de uma música popular brasileira do compositor Gonzaguinha que é um exemplo de ciranda:

REDESCOBRIR
Como se fora brincadeira de roda (memória)
Jogo do trabalho na dança das mãos (macias)
O suor dos corpos na canção da vida (história)
O suor da vida no calor de irmãos (magia) (...).

*Minha Foto na Apresentação Oral do Artigo*

Artigo Publicado nos seguintes veículos:

http://www.africaeafricanidades.com/

http://www.africaemnos.com.br

http://passeandopelocotidiano.blogspot.com

http://www.parthenon.esp.br/revistacienciaonline/

4º Congresso Carioca de Educação Física - FIEP (Federation Internationale D'Education Physique)

12º Congresso Internaiconal Fitness et Wellness - Santa Mônica - Pôster apresentado oralmente.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

*FELIZ DIA DO AMIGO!!!*


♫ Soneto do Amigo ♫
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com os olhos que contem o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual à mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
♫ Vinicius de Moraes ♫

sábado, 18 de julho de 2009

*Sinceros Agradecimentos à APEF-RIO e seu Presidente Profº Cayo Lames, pelo apoio ao meu trabalho e por ter sido citada como Profissional do Mês*

Agradeço Imensamente a APEF-RIO(Associação dos profissionais de Educação Física) Na Pessoa Do Seu Presidente Profº Cayo Lames O Apoio Ao Meu Trabalho e a Honra De Ter Sido Considerada “PROFISSIONAL DO MÊS” de Julho Por Esta Respeitosa E Histórica Entidade da Área da Educação Física, com 63 Anos de Dedicação e Muito Trabalho!
*Vejam o Texto Publicado No Site Da APEF-RIO Link "Profissional do Mês"http://www.apef-rj.org.br/
"Entendemos que a evolução da nossa profissão está “a galope”. Legalização da Profissão, aprimoramento da técnica, aplicabilidade científica, entre outros, contudo nos parece que ainda está faltando apresentar e representar essa nossa capacidade de intervenção para nossos pretensos beneficiários. Assim, resolvemos valorizar aqueles profissionais que estão apresentando e representando com status de excelência a nossa profissão. "Conheça O PROFISSIONAL DO MÊS e uma parte do seu trabalho! Julho/09: Professora Denise Guerra (Cref. 015.514 G-RJ)"Veja seu trabalho em: http://afrocorporeidade.blogspot.com/

*Campanha Fotográfica - ÁFRICA EM NÓS*

*África em Nós Promete Muita Emoção em Lindas Fotografias*
A campanha fotográfica África em Nós, criada pela secretaria de Estado da cultura de São Paulo convoca toda população a participar através da fotografia, no que ela vê, sente e compreende sobre a presença e a herança africana no dia a dia.

O tema é a própria África, o continente mãe. Como perceber os sinais africanos? Quais os sinais perceptíveis em nossa cultura? Cada participante deve realizar sua foto mostrando como vê e sente esta África que existe perto de nós.

Visite o site da campanha http://www.africaemnos.com.br/ para ler o regulamento e participar. Fotógrafos amadores ou não podem mandar suas fotos até dia 15 de Setembro.

O curador responsável é o fotógrafo renomado Walter Firmo e a organização é pela Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

*7º FESTIVAL PANAFRICANO DE MÚSICA*

*Folder Divulgação FESPAM 2009* http://www.fespam.net/

♫O FESPAM Ocorrerá entre os dias 03 e 07 de agosto de 2009♫
*TEMA: ♫ A Música Africana nas Encruzilhadas da Globalização♫
*ATIVIDADES PREVISTAS:
♫ Espetáculos Musicais♫
♫ VIº Simpósio de Música Africana Tema: A Globalização e a Tradição na África♫
♫Mostra Permanente de Instrumentos Musicais ♫
♫Workshops e Atividades de Formação♫
♫Concurso da Miss FESPAM ♫
♫Museu Panafricano da Música de Portas Abertas para Visitação ♫
♫Maiores Informações: http://www.fespam.net

quarta-feira, 15 de julho de 2009

*Workshop de TIMBILA com o Músico Matchume Zango no Maracatu Brasil*

*Por Denise Guerra*
*Matchume Zango tocando Timbila*
*Workshop realizado nos dias 09 e 12/07/09*

O Workshop de Timbila (instrumento criado pelo povo Chope de Moçambique, considerado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade) aconteceu entre os dias 09 e 12/07/2009 no espaço do Maracatu Brasil, no Rio de Janeiro, com diversos instrumentos ao nosso dispor além das três Timbilas de tamanhos pequeno, médio e grande.

O músico e professor de percussão do TEAR, André Sampaio, foi o mediador do curso inclusive porque ele teve contatos anteriores com o músico Matchume Zango em Moçambique, e consequentemente já estava familiarizado com o instrumento Timbila.

Matchume Zango, músico e professor de Timbila, nos recebeu com simpatia e dedicou-se a transpor as barreiras dos costumes e concepções musicais que são diferentes em nossos países. Desta forma, começou o Workshop nos contando sobre a história da Timbila que se confunde com a história do seu povo, os Chopes. Segundo o moçambicano eles não sabem ao certo quando a Timbila foi criada, mas, sabem de sua importância social, política, educativa e cultural.

O visitante disse-nos que este instrumento é tocado no dia-a-dia das famílias e que desde pequeno as crianças têm contato com a Timbila. A Timbila serviu de alento ao povo Chope para aplacar os horrores das guerras sofridas; amenizou o pânico vivido por seus conterrâneos nas perigosas minas de extração de pedras preciosas na África do Sul; harmonizou os diversos eventos sociais das famílias Chopes, como as confraternizações entre eles e com outros povos vizinhos. Arrisco-me a afirmar que este instrumento teve e continua tendo um valor musicoterápico e místico para o povo Chope.

As diversas famílias produzem artesanalmente a Timbila, e o mais incrível é que a afinação desta é feita através das vozes dos artesãos construtores; por isso, cada família tem Timbilas com afinações próprias e no caso de se formar uma banda ou orquestra de Timbilas é importante que venham da mesma família produtora para que a afinação fique mais adequada.

A Timbila é composta em sua parte superior por teclas de madeira de uma árvore especial chamada Moendi; estas teclas são afinadas na escala tonal, mas, com diferenças de comas (subdivisões de uma nota musical) formando um instrumento não temperado (sem afinação fixa); as teclas são percutidas com duas baquetas lembrando o dinâmica do xilofone. Na parte inferior a Timbila é composta por Massalas (um tipo de cabaças que dá em árvores como o nosso coité) e tem tantas Massalas quanto seja o número de teclas do instrumento; os tamanhos das Massalas variam de acordo com o tamanho das teclas; elas fazem então a função de caixa de ressonância, com vibração das membranas que possuem nos orifícios de saída do som.

O som das Timbilas é forte e comporta o acompanhamento de vários outros instrumentos de percussão ao mesmo tempo, sendo ela em geral um instrumento de solo sonoro-ritmico. O workshop seguiu-se com o mestre passando algumas concepções rítmicas para que nós acompanhássemos as Timbilas. Nossos ouvidos acostumados aos sambas, maracatus, forrós etc, se confundiram um pouco com as constantes fusas e semifusas (células rítmicas que expressam andamento rápido) ditadas pelo músico Matchume; No entanto, nos encontrávamos sempre ao final de cada percurso musical.

O nosso workshop foi prestigiado com as presenças de músicos experientes e grandiosos como é o caso do srº Humberto do Jongo da Serrinha. Entre os demais alunos estavam outros músicos, professores e alunos de percussão, além de duas musicoterapeutas (eu e a colega Sinai).

Matchume Zango nos contou que cresceu ouvindo Jazz, Hip-Hop, Semba (fazendo uma ponte com o nosso samba), mas, a influência jazzística foi mais forte. No seu trabalho comumente ele une as concepções contemporânea à música tradicional do seu povo mediada pelo Jazz. Dito isso, passamos no último dia do curso à prática mais elementar preconizada pelo Jazz: o Improviso. O Timbileiro nos deu um tema e a cada volta deste tema um de nós improvisava junto com a Timbila que fazia a base. Além desta prática rítmico sonora ter sido muito prazerosa nos inovou musicalmente, pois, a maioria de nós não tinha se quer conhecimento da existência do instrumento Timbila.

Agradecemos ao músico André Sampaio e ao Maracatu Brasil por terem tornado possível este workshop. Ficamos infinitamente gratos ao músico moçambicano Matchume Zango por sua disponibilidade, cumplicidade musical e por seu carisma!

Quero finalizar ressaltando a energia do povo Chope e seu instrumento Timbila através de uma colocação feita pelo ilustre filho da terra que Moçambique nos enviou: “Antes de falar e andar o povo Chope canta, dança e toca Timbila” (Matchume Zango). Muito obrigada Matchume, Warethwa! (Vá em frente).

*Minha foto com Matchume Zango, Srº Humberto Jongueiro,
André Sampaio e alguns colegas do workshop de Timbila*

*MEMORÁVEL FESTLIP 2009*


*Grupo GTO-Guiné Bissau da Peça "Nó Mama Frutos da Mesma Árvore"
Ricardo Riso Agachado à Esquerda, Eu à Direita de Blusa Vemelha*

*Eu e a Profª Drª Conceição Evaristo
com as meninas do GTO-Guiné Bissau*

Embondeiro Cenário da Peça "Nó Mama Frutos da Mesma Árvore"


♫André Sampaio, Matchume Zango Músico de Moçambique
Srº Humberto do Jongo da Serrinha e Eu♫

♫Matchume, Eu e Thomas do Grupo
Fidjus de Música Caboverdeana♫

♫Timbila -Instrumento Musical Criado Pelo Povo Chope -Moçambique
Declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO♫

♫Matchume no Workshop de Timbila♫

♫Eu ao lado do Matchume e sua Timbila ♫

♫Matchume Contando a História da Timbila♫

♫Sesc Tijuca - Obra de Heitor dos Prazeres♫

*Cenário da Peça "Mar Me Quer" Grupo Tijac - Moçambique*

*Da Esquerda para a Direita Nathalie, Eu, Mikael, Matchume,
André Sampaio, Eliot e Graça Silva - Grupo Tijac*

*Eu e Grupo Elinga Teatro de Angola no Estrela da Lapa*

♫Com Grupo Coco da Xambá - Pernambuco - Brasil♫


*Fernanda, Eu e Ricardo Riso na Saída do Sesc Rio
Após termos visto a peça Physico Cia Solaris - Cabo Verde*

segunda-feira, 13 de julho de 2009

*Fechando o FESTLIP a Peça “Nó Mama Frutos da Mesma Árvore” (Grupo de Teatro do Oprimido – Guiné Bissau)*

*Por Denise Guerra*
*Minha Foto com Ricardo Riso agachado à esquerda,
César Griot em pé, o último à direita, eu de blusa vermelha
e a profª Drª Conceição Evaristo à esquerda do meu lado,
com o GTO - Bissau no final da peça que foi muito Show!!!*


O grupo GTO – Bissau iniciou sua participação fiel às propostas do Teatro do Oprimido fundada pelo brasileiro Augusto Boal no Brasil e na Guiné Bissau. No Teatro do Oprimido a dinâmica usual é sempre partir de um problema, o qual depende da intervenção da platéia para sua resolução do ponto de vista do oprimido.

Um dos atores veio cumprimentar o público e explicar suas propostas; em seguida os demais atores entraram cantando e dançando duas músicas ao som de um tambor, sendo a primeira com o tema sobre a “Liberdade” e a segunda com o tema do “Amor”. A história da Guiné Bissau foi muito marcada pela opressão colonial, e constantes guerras pela liberdade; ainda hoje o país vive momentos delicados e uma instabilidade política muito séria, haja vista os episódios da morte do último presidente Nino Vieira, em março deste ano, assim como a posterior morte do candidato à presidência Baciro Dabó. As músicas sobre a Liberdade e o Amor soam como Odes a estes bens tão preciosos e pouco disponíveis na vida daquele povo.

A cena deflagradora das questões a serem solucionadas pela intervenção do fórum público mostrou uma cerimônia onde o mais velho, personagem avô, reuniu seus herdeiros para participarem de um ritual de união da família e preservação das tradições. Como é o costume, o mais velho pede para que a família, ali representada por duas filhas e dois netos, cante e dance para avisar aos deuses que eles estão reunidos, para pedir que abençoem a cerimônia e a união da família. Observa-se que o canto e a dança são as vias mais importantes de contato com os deuses africanos, e no caso da Guiné Bissau, há uma forte herança cultural sendo a dança acompanhada da música característica, a maior expressão artística desta cultura.

As danças da peça foram acompanhadas por um tambor e canto nativo em língua crioula ou mandé(?) idioma comum entre os guineenses. Após a louvação, iniciou-se o ritual no qual, seguindo-se a tradição, a irmã mais velha deveria lavar suas mãos na água sagrada preparada para a cerimônia. Vê-se então a quebra dos costumes pela irmã mais nova, que passou a frente da irmã mais velha e mergulhou primeiro sua mão na água sagrada. Assim, criou-se um mal estar entre as famílias, e o problema estava colocado para possíveis resoluções com a intervenção do público.

A platéia compareceu participativa e solidária ao oprimido da história, no entanto, percebeu-se nítida dificuldade dos brasileiros quanto ao entendimento sobre a visão de mundo dos africanos. Ainda assim, a interatividade foi muito produtiva, e certamente, ambos os países aprenderam um pouco mais sobre a cultura do outro.

A produção da peça “Nó Mama Frutos da Mesma Árvore” contou com um cenário simples do ponto de vista material, porém, riquíssimo em criatividade, simbologia e energia: o Embondeiro (árvore mística), a União da Família (através dos tecidos), a Água sagrada (que tudo lava), a Dança (a arte do movimento corporal rítmico), o Tambor (meio de comunicação com os deuses).
A sonorização baseada nos cânticos originais deste povo ficou marcado pela voz estridente de uma personagem, bem como, pela polifonia do coro que cantou com afinação não temperada, com ritmos marcados e sincopados. O nome das duas famílias envolvidas na trama “Prela” e “Silá” coincidem com os nomes das notas musicais Ré, Lá (notas separadas por um intervalo grande de tons, no caso uma 5ª justa) e Si, Lá (notas próximas na sequência da escala tonal ou uma 2ª M); será que estes nomes e intervalos de notas foi pensado para expressar a possibilidade de afastamento e união das famílias por causa do problema a ser resolvido?

Manter a Tradição em um mundo globalizado e repleto de guerras que extingui pessoas e culturas talvez só seja possível com a perseverança da União. Estes dois temas abordados na peça, Tradição e União, expressam o desejo de manutenção da circularidade africana. Que nossos visitantes levem a paz, o amor, a esperança, a união, a música e a dança do bem no regresso aos seus países. Que continuem contando histórias ao pé do Baobá e à volta da fogueira, mantendo e preservando a essência do povo e de sua cultura.

“Quem conhece o ontem e o hoje Conhecerá o amanhã, porque
O fio do tecelão é o futuro, O pano tecido é o presente,
O pano tecido e dobrado é o passado”.

(Provérbio fulani)

Ficha técnica
Criação/Concepção coletiva: Grupo de Teatro do Oprimido – GTO / Guiné Bissau – BissauDireção Artística: Barbara Santos Elenco: Claudina Joaquim da Silva Gomes, Edilta da Silva, Elsa Maria Ramos Gomes, José Carlos Lopes Correia, Silvano Bernardo Antônio dos Santos; Suleimane GadjicóDuração: 60 min. Concepção Plástica: Cachalote Mattos

Referências:
Lopes, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
http://historiadaguine.blogspot.com/ (acesso em 13/07/09)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

*Workshop de Timbila e Percussão Moçambicana* Com Matchume Zango - Orquestra Timbila Muzimba*


A Timbila,instrumento declarado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO,é o nome genérico que se dá a um tipo de marimba da região de Zavala em Moçambique, tocado tradicionalmente pelo povo Chope. Os Workshops visam proporcionar aos participantes de todas as idades um contato muito próximo com a cultura popular moçambicana, aproveitando a presença no Brasil do músico Matchume Zango, membro fundador da Orquestra Timbila Muzimba,compositor musical e fabricante de instrumentos tradicionais e modernos. Local: Maracatu Brasil - Rua Ipiranga, 49 - Laranjeiras
Dia 09/07/09 Quinta-Feira às 20hs
Dia 12/07/09 Domingo às 16hs Investimento : 1 Dia R$ 30,00 / 2 Dias R$ 50,00

Informações: (21) 2557-4754 / (21) 9444-4773 (André)
email: http://br.mc301.mail.yahoo.com/mc/compose?to=coletivo.umojah@gmail.com

terça-feira, 7 de julho de 2009

*No FESTLIP a peça "MAR-ME-QUER" Texto de Mia Couto encenado pelo Grupo TIJAC: O Bem-Querer dos Segredos e dos Sagrados*

*Por Denise Guerra*
*Cena da peça com os personagens Zeca e Luarmina*
Foto do site http://www.festlip.com/


Mar me quer é um espetáculo de luzes, cores, sons, sonhos, fantasias, oralidade, criatividade e muito mais, que assisti no FESTLIP – SESC Tijuca, em 05/07/09. Aliando o contexto da tradição de contar histórias à volta da fogueira, unindo luminosas e sonoras tecnologias, com o esplêndido texto do autor moçambicano Mia Couto, o Grupo Tijac superou todas as expectativas do público que não parava de aplaudi-los.

O cenário simples e inebriante nos fez viajar além mar encobrindo mistérios de vida e morte, ancestrais e viventes. As luzes pintaram o tom do mar, do céu, das nuvens, das aves, da fogueira, dos homens e da energia vivida. Tecidos, penas, sombras e flores invisíveis amarraram e desataram os nós do tear da trama. Os sons da natureza, dos animais, dos tambores e de outros instrumentos musicais tocaram na magia do ir e vir dos personagens e suas narrativas.

Entre as figuras dramáticas principais um griot contava as histórias das famílias e ligava-as do presente ao passado e vice-versa. Uma velha de nome Luarmina desfolhava a invisibilidade das flores parecendo virar páginas do tempo e do saber, escolhendo quiçá um amor intangível. E Zeca Perpétuo, também “o dono das preguiças”, vivia das lembranças que não queria lembrar, mas, que nunca eram esquecidas. Por fim, os antepassados entram em cena como misteriosos personagens que ligam a linha do tempo, o vento, as águas do mar, os homens e o sagrado.

Da acústica ouviu-se timbres, vozes, ecos, pulsações e destinos traçados pelo Ifá(oráculo africano). Pode-se dizer que a força das palavras africanas trouxeram a profundidade e a leveza, o segredo e a revelação, o visível e o invisível através dos atores. Assim, o autor desfiou a circularidade da cosmogonia africana(visão de mundo) que refazendo os caminhos iniciais, provocou benquerenças, encantamentos e desejos de bis! Warethwa (vá em frente)!

*Elenco da peça "Mar Me quer", Grupo Tijac -
Moçambique e Reunião, com o músico Matchume
ao centro ao lado dos expectadores André e Denise Guerra*
Minha Foto no Sesc Tijuca após a apresentação da peça


*Sinopse do Espetáculo “Mar me quer” de Mia Couto*
A beira do Oceano Índico, Zeca Perpétua só tem olhos para a sua vizinha, a mulata Dona Luarmina que passa a maior parte do seu tempo arrancando folhas de uma flor invisível. As conversas cotidianas deles vão muitas vezes para caminhos estranhos. Pouco a pouco, vão confessar-se segredos pesados.“Chaminé que construísse em minha casa não seria para sair o fumo, mas para entrar o céu.”
Ficha Técnica:

Texto: Mia CoutoAdaptação e Direção: Mickael Fontaine
Elenco: Branquinho Adelino, Graça Silva, Leonardo Nhavoto e Zango Candido Salomão
Duração: 01:00h
Música: Matchume
Técnico: Hassan Aboudakar

Próxima Apresentação:
11 de Julho às 19hTeatro Sesc Ginástico
www.tijac.com/site/

domingo, 5 de julho de 2009

*Notícias De Quem Está Adorando o FESTLIP*

*Por Denise Guerra*

*Foto do site: www.festlip.com*

*Cia de Teatro Solaris - Cabo Verde*

O Festival de Teatro da Língua Portuguesa em sua segunda edição está Maravilhoso!!! É uma pena para aquele que não pode participar de todos os eventos, mas, é imprescindível vivenciar pelo menos um pouco deste Festival que reúne a Arte Dramática e as Literaturas Lusófonas da África (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique), América Latina (Brasil) e Europa (Portugal).

Neste ano de 2009 o FESTLIP está homenageando o esplêndido autor Moçambicano Mia Couto, dono de uma vasta obra literária repleta de sonhos, fantasias, mistérios, questionamentos, leveza, beleza e ancestralidade! Ontem, 04/07/09 no SESC Tijuca, a peça ‘Psycho’ da Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde – Cidade de Mindelo), mostrou, através de duas atrizes e um cenário muito simples, toda a complexidade dos conflitos entre o homem (Eros e Psique) e a sociedade (Superego); as atrizes apresentaram uma movimentação muito criativa, ocupando os espaços e o cenário de diversas e inusitadas maneiras; dialogaram com suas neuroses inserindo o público em alguns momentos interativos de um texto intrigante! Parabéns às atrizes Lucilene Costa e Milanka Vera Cruz! Como se diz na linguagem popular do Teatro brasileiro desejando boa sorte aos atores: Merda para vocês! Valeu Cabo Verde!!!
*Minha foto com Ricardo Riso*
*Na saída do Sesc Tijuca após termos visto a peça 'Psicho'*

*FESTLIP Show no Estrela da Lapa*

*Por Denise Guerra*

*Grupo Coco da Xambá no Estrela da Lapa*

O FESTLIP está promovendo eventos paralelos às apresentações teatrais, e um destes foi a Festa Musical no Estrela da Lapa com apresentações de músicos brasileiros e internacionais dos países participantes do evento. Além da entrada franca e do lugar belíssimo que é o caso do Estrela da Lapa, a noite contou com os astros da música cabo-verdiana do Grupo Fidjus e de Mário Lúcio, da música angolana de Abel Duerê e do DJ Falcão, além da música brasileira contagiante do grupo Coco da Xambá.

Apesar da pouca convivência com a linguagem musical dos africanos, percebe-se que os ritmos, a execução musical, a interpretação e a interação com o público nos são familiar, portanto, além de ninguém ficar parado, a empatia através dos timbres, da síncope e da dinâmica musical é sobre natural, coisas da ancestralidade!

O Brasil representado pelo grupo Coco da Xambá (o qual pertence a uma comunidade terreiro de Pernambuco) abriu os shows da noite agitando o salão com as alegres danças do coco, lembrando Jackson do Pandeiro; não faltaram as emboladas e as danças do grupo em cima do palco, animavam ainda mais o público. O grupo Coco da Xambá reservou em suas homenagens uma música para Ogum, orixá guerreiro Deus protetor dos que trabalham com o ferro e com o couro, tudo haver com o grupo que é formado por inúmeros instrumentos musicais rítmicos de couro, além da pertinência de ser este um dos orixás mais cultuados no Rio de Janeiro através do sincretismo: Ogunhê meu pai! Por fim, o Coco da Xambá trouxe uma última música no estilo ritual evocando ‘Odé’, nome pelo qual são referidos Oxossi e todos os orixás caçadores como Logun-Edé. Neste clima de magia, saudação e energia, terminaram sua brilhante passagem pelo Rio de Janeiro. Axé Coco da Xambá! Obrigada pela gentileza de sairem do camarim para fotografarmos juntos! Voltem sempre!
*Minha foto com o Grupo Coco da Xambá *
*Estrela da Lapa - Rio de Janeiro - Brasil*

quinta-feira, 2 de julho de 2009

♫Michael Jackson, o "Banzo" e o Mundo dos Astros♫

*Por Denise GuerraTentando elaborar a perda de um excelente cantor, compositor e excepcional dançarino, um ser que segundo as diversas declarações dadas à mídia sobre ele era de uma leveza e amabilidade ímpar, vemos também o lado da corporeidade adoentada advinda de uma imagem corporal desconstruída aos pedacinhos por alguns bisturis como uma flor despetalada.

Michael Jackson cantava quase sempre sobre o amor, aquele que provavelmente fez muita falta para o fortalecimento do seu eu; nosso astro dançava com requintes de floreados podais e gingados sensuais, movendo-se "quase como uma entidade"(comparação feita pelo menino, hoje jornalista, atropelado por Michael Jackson quando esteve no Brasil anos atrás - J.N. 26/06/09). O artista criativo, intempestivo e brilhante não se afinava tão bem com o ser humano triste, frágil e vulnerável no qual se transformou. Quando sentimos na dádiva da vida a alegria de viver vemos transbordar a felicidade, no entanto, a dor, a tristeza e a infelicidade de sentir um 'não pertencimento' pode ser comparado ao estado crítico do Banzo:


"Estado psicológico, espécie de nostalgia com depressão profunda, quase sempre fatal, em que caíam alguns africanos escravizados nas Américas. O termo tem origem ou no quicongo mbanzu, 'pensamento', 'lembrança', ou no quibundo mbonzo, 'saudade', 'paixão', 'mágoa'"(LOPES, 2004, p.99).


É como um caminho para a morte que a pessoa traça inconscientemente, por entender que não pertence a este espaço, meio, mundo. Michael Jackson pertenceu com certeza ao mundo dos astros divinos, mas, não viveu dentro do panteão a que realmente pertencia. Agora talvez, na condição de ancestral, com licença e explicação das palavras de Lopes(2004, p.58) "(...) A figura do ancestral é um símbolo que evoca seus atos; e a máscara ou estátua é o signo que manifesta sua presença espiritual entre os vivos", que lhe seja dado um espaço no astral, e eternizado sua passagem na terra na figura de uma "Calunga" estatueta representativa de qualquer entidade divinizada, ligada a Deus, ao mar e a morte (ibid, p.156). Thanks, Mister Jackson! You'll Be There!

I'll Be There
(Michael Jackson)
You and I must make a pact
We must bring salvation back
Where there is love, I'll be there
I'll reach out my hand to you,
I'll have faith in all you d
Just call my name and I'll be there
Chorus:
And oh - I'll be there to comfort you,
Build my world of dreams around you
I'm so glad that I found you
I'll be there with a love that's strong
I'll be your strength, I'll keep holding on
Yes I will, yes I will (...)

REFERÊNCIAS:

LOPES, Nei. Enciclopédia da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.

♫ESCOLA DE MÚSICA PENTAGRAMA♫ Direção Mapinha * Músico-Professor♫

♫ESCOLA DE MÚSICA PENTAGRAMA♫ Direção Mapinha * Músico-Professor♫
♫VIOLÃO * CAVAQUINHO * GUITARRA * BAIXO * FLAUTA * SAXOFONE * TROMPETE * TROMBONE * CLARINETE * GAITA * PIANO * TECLADO * CANTO * BATERIA * PERCUSSÃO GERAL♫ RUA IGARATÁ, Nº566 - MARECHAL HERMES - Rio de Janeiro* TEL(S):3456-1510/8133-3559* www.empentagrama.kit.net

*Registrado no Creative Commons*

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*FRUTOS DA DIÁSPORA AFRICANA*

*ACESSE http://www.africaeafricanidades.com.br*

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*"Capoeira é de Todos e de Deus. Mundo e gentes têm mandinga, Corpo tem Poesia, Capoeira tem Axé"*

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*Frase do Livro "Feijoada no Paraíso" Besouro*
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♫SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS♫

  • *CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.
  • *COSTA, Clarice Moura. O Despertar para o outro: Musicoterapia. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
  • * FREGTMAN, Carlos Daniel. Corpo, Música e Terapia. São Paulo: Editora Cultrix Ltda,1989.
  • *EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.
  • * FREYRE, Gilberto. Casa grande e Senzala. 50ª edição. São Paulo: Global Editora, 2005.
  • *HOBSBAWN, Eric J. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
  • *LOPES, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
  • *_________. Dicionário Escolar Afro-Brasileiro. São Paulo: Selo Negro, 2006.
  • *_________. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • *_________. O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical: Partido Alto, Calango, Chula e outras Cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
  • PEREIRA, José Maria Nunes. África um Novo Olhar. Rio de Janeiro: CEAP, 2006.
  • *RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • *ROCHA, Rosa M. de Carvalho. Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro: Uma proposta de intervenção pedagógica na superação do racismo no cotidiano escolar. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006.
  • *___________. Educação das Relações Étnico-Raciais: Pensando referenciais para a organização da prática pedagógica. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.
  • *ROSA, Sônia. CAPOEIRA(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *__________. JONGO(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *___________. MARACATU(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *SANTOS, Inaicyra Falcão. Corpo e Ancestralidade: Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
  • *SODRÉ, Muniz. Samba o Dono do Corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
  • TINHORÃO, José Ramos. Música Popular Brasileira de Índios, Negros e Mestiços.RJ: Vozes, 1975.
  • _________ Os sons dos negros no Brasil. São Paulo: Art Editora, 1988.