♫AMIGOS DO AFRO CORPOREIDADE♫

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

♫IMPRESSÕES SOBRE A ÚLTIMA NOITE DO BACK2BLACK 30/08/09♫

*Foto 1: Conferência com Damisa Moyo e Gilberto Gil, mediador sr Alberto da Costa e Silva*


*Por Denise Guerra*
Lamentando pela ausência de Graça Marshal que cancelou sua participação por problemas de saúde, o tema desta última conferência era “A África na Construção do Mundo: O Futuro, e as discussões sobre o futuro de África foram latentes, e os motes principais das falas da Zambiana Dambisa Moyo e dos brasileiros Gilberto Gil e Alberto da Costa e Silva foram: Lucidez, veemência, orgulho do pertencimento africano e cobrança sobre as alteridades em relação à África.


Dambisa Moyo discorreu com intenso conhecimento de causa sobre os fatos históricos de diversos períodos e ressaltou fortemente a contemporaneidade africana. A palestrante cobrou coerência e respeito nos olhares para África, e em especial que permitam que a África seja ela por si mesma, dando exemplos dos estereótipos que subjugam a África e os africanos impedindo-os de progredirem como qualquer continente.


Gilberto Gil lembrou um pouco das dívidas da humanidade em relação à África, afirmando também nossas dependências desta matriz genética tida como o berço da humanidade. Nosso ex-ministro da cultura expôs o quadro vergonhoso imposto pelas ajudas humanitárias em áfrica que geralmente chegam com a contra partida dos interesses de explorações inescrupulosas ao continente africano e sua gente.


Segundo a economista zambiana as estatísticas em África hoje são assustadoras: A qualidade de vida regride a passos largos, a área da educação não tem avançado, a expectativa de vida na África caiu de uma média de 52 anos para 47 anos de 2004 para cá, para os neonatos e suas mães os níveis de mortalidade é um dos maiores do mundo, os serviços de infra-estrutura e a saúde encontram-se mais adoentados do que sempre estiveram, a segurança é algo ameaçador.


*Foto2:Paulo Flores e Angelique Kidjo


O passado e o presente da África foram decantados no evento pelos palestrantes, mas, desenharam uma perspectiva de futuro catastrófica se não houver mudanças drásticas, especialmente no modo como o mundo vê e age com a África além do tratamento que dá ao Negro. O conteúdo da oratória pro - África foi mais intenso do que as palavras podem transparecer, todavia, um tema levantado pela platéia e por Marisa Monte na última 6ª feira em muito resume o que falta na África, no Brasil e no mundo como um todo: “Cadê a ÉTICA?!”

Ressalto a participação do mediador Sr Alberto da Costa e Silva, poeta, historiador, africanólogo, observando o quão primoroso é com as palavras e com a síntese das causas discursadas. Intervindo na questão sobre a ética na mídia solicitada pela platéia, o Sr Costa e Silva citou seu grande amigo Guimarães Rosa que dizia que não lia jornais, porque eles só traziam notícias trágicas; e o Sr Costa e Silva prefere concordar com Guimarães Rosa ao invés de cansar suas pestanas com leituras que deprimem e não acrescentam nada.


O músico Gilberto Gil e a economista Dambisa Moyo concordam que quando se trata de África a miséria é mais sensacionalista do que deveria e a ética passa longe das intervenções estrangeiras. No final de sua fala a Zambiana concluiu: “Não digo que não façam nada pela África, mas, que façam melhor!” e o ex-ministro brasileiro complementou: “Precisamos da África por ser esta nossa matriz étnica natural. A humanidade é a natureza africana, e a natureza africana é a humanidade, portanto, cuidemos da África para o nosso bem!”


*Foto3: Mart'nália e o angolano Paulo Flores*



Passando-se aos shows que neste dia teve como tema a “Celebração do Samba”, nossa querida Mart’nália teve a honra de conduzir um dos mais brilhantes e memoráveis encontros já vistos na diáspora africana. Uma preciosidade de gêneros musicais de matriz africana, através das vozes, instrumentos, corpos, poesias, folclore, mitos e divindades afros além de muita cumplicidade.
Mart’nália, como boa prata da Escola de Samba Vila Isabel, abriu o show com a música “Filosofia” do ilustre símbolo da azul e branco Noel Rosa, que por ser tão significativa em relação à marginalização do samba e seus criadores vale apena relembrar:


*FILOSOFIA (Noel Rosa)*
O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indife....rente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava
Dessa gente que cultiva hipocrisia

*Foto4: Mayra Andrade e Margarete Menezes*



Em seguida foi a vez da música folclórica angolana “Humbiumbi” através da leveza da voz de Paulo Flores conclamar a todos para um vôo conjunto. Mais uma interpretação de Paulo Flores com a doce música de Dorival caymmi “É doce morrer no mar” falava deste atlântico que nos separa, Brasil e África, e da mãe de todos os orixás Yemanjá.
A divindade Xangô Deus do fogo e do trovão foi cantado por Margarete Menezes e Angelique Kidjo, contudo, outras evocações ao sagrado se fizeram entoar como o “Milagres do Povo” de Caetano Veloso. Verdadeiras odes ao negro, à negritude, seus heróis, suas pérolas negras, os países da diáspora e a África.


*Foto 5 Dona Ivone e Mart'nalia*

Cada uma das estrelas deixaram seu brilho peculiar num repertório cuidadosamente selecionado, e foi assim que os brasileiros Luiz Melodia, Marina Lima, Rodrigo Maranhão, Maria Gadu fizeram verdadeiros duetos com a cabo-verdiana Mayra Andrade e a cubana Omara Portuondo além dos artistas africanos já citados. Mais um presente dos deuses foi ver nossa grande dama do samba Dona Ivone Lara, apesar da frágil saúde, cantando lindamente e ainda estimulando o público puxando a capela o seu “Tiê” que teve como resposta do público uma sintonia que só os grandes são capazes.


*Foto6:Todos os Artistas cantaram juntos ao final*


As merecidas homenagens e interações musicais passaram a idéia da riqueza multicultural espalhada pela diáspora africana. Retomo um detalhe importante que faltou no evento: mesmo neste último dia com a “Celebração do Samba” e a “Kizomba a festa da raça” interpretada pela sambista Mart’nália, o povo comum do samba não foi visto no Back2Black. Valeu Zumbi?!



*Foto7 e 8: Eu com o amigo Carlos Emídio,profº de Yoga, e na foto 8 com o grande percusssionista Robertinho Silva*

















*Foto 8 e 9:Com os amigos Marcia, Renato e Silvia*














*Foto10 e 11: Aqui com alguns mapas africanos expostos no Back2Black*



















domingo, 30 de agosto de 2009

♫1ª NOITE DO BLACK2BACK 28/08/09: QUEM FOI, COMO FOI, QUEM NÃO FOI...♫

*Foto 1: Da esquerda para a Direita
Breyten Breytenbach, ao centro José
Eduardo Agualusa e Bob Geldof*
*Por Denise Guerra*
Com a Belíssima Direção de Arte e Cenografia de Bia Lessa, a noite de estréia do Back2Black estava rico em fotografias, informações, dados etnográficos e poesia com direito a flores no palco e nas cadeiras de onde o público assistiu a conferência e os shows. Instalações Adjacentes ao cenário principal complementaram a recepção montada com vagões de trens antigos prontos para uma Festa Blax e Uma Livraria com temas afros.

Os ilustres conferencistas abriram esta noite inicial do Back2Black com suas falas conscientes, emocionadas e questionadoras sob a mediação do escritor angolano José Eduardo Agualusa, que também é o curador do evento. Nossos preletores na conferência Breyten Breytenbach e Bob Geldof. que teve o tema “Construindo Utopias”, antes de qualquer coisa, discorreram sobre a grande complexidade do continente africano, com seus 54 países, mais de 2000 etnias, e um volume intenso de idiomas num mesmo país conforme o exemplo da Nigéria que congrega pelo menos 200 idiomas diferentes no mesmo território.Com tamanha diversidade por metro quadrado, os problemas obviamente são inúmeros e as disponibilidades para resolvê-los nem tanto assim.


Os conferencistas disseram ainda que por suas longas caminhadas discutindo com o mundo sobre os problemas africanos e as responsabilidades de todos na busca de soluções para o desenvolvimento do continente, observaram repetidos movimentos de explorações inescrupulosas, olhares para a África a partir dos estereótipos impregnados no senso comum, o desconhecimento sobre a cosmogonia africana (visão de mundo) e a contemporaneidade destes nossos irmãos.

Abriu-se para perguntas, mas, o tempo não foi suficiente para expor e responder a todas. O mediador José Eduardo Agualusa escolheu uma pergunta em especial e a fez a cada palestrante: “Se vocês estivessem diante do presidente do seu país, o que vocês diriam a este? A irreverência e a seriedade se fizeram representar nas respostas dos dois palestrantes, contudo, segundo o que pude concluir, perguntariam aos seus presidentes sobre as melhorias desejadas para cada país e dariam sugestões para o crescimento de suas nações e da África como um todo.

Os palestrantes em suas mensagens finais pediram a atenção do mundo para as particularidades de cada um dos 54 países africanos e para a contemporaneidade em África já que o continente, apesar dos achados arqueológicos, não é uma peça de antiquário, mas, é antes um continente que precisa de cuidados e respeito da humanidade. Após um breve intervalo passou-se à segunda parte do evento com os shows.

*Foto 2: Gilberto Gil com José Gil à
esquerda e Ben Gil à direita.*
Para iniciar os shows ninguém mais indicado que o músico e ex-ministro da cultura brasileira mister Gilberto Gil. O músico chegou acompanhado dos filhos José Gil (baixo e percussão) e Bem Gil (guitarra acústica e percussão). Veio com a leveza que lhe é peculiar cantando, tocando e alternando pequenas e imprescindíveis falas sobre a consciência negra, a valorização do negro, saudações às resistências culturais e sociais do negro, apoiando a diversidade e a liberdade de expressão. Gilberto Gil, depois de apresentar a prole que o acompanharia musicalmente anunciou que o repertório preparado para esta noite era deveras “Pigmentado, Melaninado ou Pronto pra Preto” brincando com um dos temas musicais que cantaria mais tarde. Pérolas como: A Mão da Limpeza, Andar com Fé, Tenho Sede, Expresso 2222, Refavela, O Escurinho, No Woman no Cry, Alapala (O Mito de Xangô) entre outras. Depois a irreverência corporal e a incrível sonoridade da voz de Angelique Kidjo terminando sua brilhante participação com pedidos de bis que ele atendeu prontamente para alegria geral da nação ou da estação.
*Foto 3:Youssou N'Dour com Angelique Kidjo*

No tão esperado segundo show subiu ao palco o Diamante Negro Senegalês Youssou N’Dour com toda sua energia, uma grande e iluminada banda com percussões, teclados, baixo, guitarra e um exímio e performático dançarino levantado o astral de todos que assistiam. Youssou N’Dour ainda recebeu Angelique Kidjo e ao final Marisa Monte cantando com a brasileira “Seven Seconds” brilhantemente.Este palco iluminado de estrelas, astros e axés de volta ao negro chegou ao ápice com todos os convidados cantando juntos “Blowing in the Wind! De Bob Dylan.

Diante de um evento de tanta beleza e valorização das questões africanas certas presenças imprescindíveis pareceram-me ausentes, que talvez pela ostentação dos ingressos, ou pouca difusão das informações, não puderam estar lá. Falo da presença da grande massa que move este país nomeados afro-descendentes ou negros de classe social mais humilde, cerne dos movimentos sociais, religiosos, culturais etc, de quem se falou e se vai falar também neste evento, contudo, mais uma vez faltou dar a vez e a voz à quem a tem por direito. É um fato para se pensar!

*Foto4:Da Esquerda para a Direita: Márcia, Teresa, Geny, Denise, Ana Lídia* *Foto5:Da Esquerda para a Direita: Ana Lídia, Denise, Geny, Márcia, Gora Fall*


sábado, 29 de agosto de 2009

*A BALACO ROUPAS E ASSESSÓRIOS AFRO-BRASILEIROS PROMOVE EVENTO EM COMEMORAÇÃO A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL*

*Divulgação enviada pela BALACO*
*A Balaco convida para um Evento que conjuga Moda, Música, Arte e Gastronomia, *Sábado 04/09/09, das 16:00 as 22:00h, "Venham ver Yemanjá" pintada, tocada, estilizada e degustar seus saborosos pratos na feirinha do Lavradio - Rio De Janeiro. Mostraremos a moda da Balaco e a música com o "sotaque carregado" de batuques da rainha do mar. Convidamos a Chef Natacha Fink do Espírito Santa Emporio e o artista plástico Artisandro Negroni para esse diálogo dos sentidos com a divindade. Até lá!*
BALACO arte africana, design brasileiro
*(55-21)3903-8776/8126-0404 www.balaco.net

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

♫Tango: Dança e Música de matriz africana do Brasil à Argentina♫

*Por Denise Guerra

Há diversas histórias sobre a origem e evolução do tango. Apesar das contradições geradas em torno do assunto, pesquisadores como Picotti e Fernandes são unânimes em dizer que o tango é um produto híbrido de várias culturas, mas, também, que é inegável a contribuição africana na criação do gênero, que tem seu início marcado no Brasil e na Argentina no século XIX.
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Para conhecermos como o legado africano foi importante na criação do tango, trago um estudo comparativo nos âmbitos histórico-social e cultural entre Brasil e Argentina, representados pelas cidades do Rio de Janeiro e Buenos Aires, as quais foram capitais culturais e políticas dos referidos países desde os períodos coloniais até os períodos republicanos. Enfatizarei os primórdios do gênero tango de 1870 à 1900, abordando suas características étnicas, musicais, afetivas e coreográficas; bem como, a dialética ocorrida no contexto sócio político de Brasil e Argentina que, pelas práticas escravistas adotadas, foram palco de aculturação especialmente com matrizes africanas.
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A interação entre Brasil e Argentina desde o começo do século XVI foi deveras expressiva. Nossas relações diplomáticas começaram com o Brasil exportando mão de obra escrava para a Argentina, passando por trocas nos âmbitos econômicos, sociais, culturais e políticos, até lutarmos lado a lado por ocasião da guerra do Paraguai, ou em lados contrários por causa dos ingleses. As pestes que assolaram a Argentina como a febre amarela em 1870 também chegou ao Brasil no mesmo período. No ir e vir dos navios brasileiros e argentinos, produtos, pessoas, idéias, sentimentos e costumes navegavam amalgamando-se inevitavelmente. Foi exatamente através dos portos de Buenos Aires e do Rio de janeiro que os grupos étnicos africanos de origem banto, especialmente congo-angolanos, imprimiram suas marcas dando início as culturas afro-argentina e afro-brasileira.
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Pesa sobre o Brasil a triste estatística de ter sido um dos primeiros países das Américas a se beneficiar da escravidão e também o último a aboli-la. Os números desta crueldade no Brasil foram de pelo menos 1/3 do total de africanos escravizados nas Américas. O episódio da escravidão na Argentina foi menor em números, todavia, não menos hostil que no Brasil.
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A produção cultural dos negros brasileiros, inclusive em função de sua condição servil, foi pouco registrada, pobremente divulgada e apresentada mediante relatos preconceituosos, em geral referidos pejorativamente pelos visitantes estrangeiros e pelas elites brasileiras como “Batuque de Negros”. No entanto, encontram-se registros impecáveis nas obras do autor Tinhorão sobre as matrizes africanas da música popular brasileira de negros e mestiços. O colonizador logo percebeu que não poderia conter a expressividade dos africanos escravizados, já que para cada atividade exercida havia cantos propiciatórios, batuques e danças, numa espécie de adaptação aos costumes africanos. A interferência das igrejas católicas na vida musical das cidades, a interação sonora dos estrangeiros visitantes e os batuques das senzalas encenavam o caldeamento cultural que estava por vir.
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A música dos afro-brasileiros se fez entoar nos cantos de trabalho dos campos agrícolas, nas igrejas entre canções e instrumentos europeus com a execução de vozes e mãos afro-brasileiras, uma vez que o contingente de mestiços aqui era bem maior do que o de brancos. Nos batuques à porta das senzalas havia as umbigadas já assistidas por brancos como um espetáculo sem precedentes. Nas cidades, por volta de 1870, as coroações dos reis do congo iniciavam os folguedos do carnaval. Viam-se na mesma época cativos carregadores do pesado ritmando seus passos com improvisos e toadas. A cidade do Rio de Janeiro era povoada por africanos e afro-brasileiros a executarem toda sorte de serviços; assim o negro nas ruas, escravos ao ganho, trabalhava e entoava pregões. Os barbeiros da cidade montavam inúmeras pequenas bandas musicais e competiam com as bandas militares que também tinham no seu corpo negros e mestiços.
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Do outro lado do Rio da Prata o burburinho era muito parecido com o do Brasil, contudo, o sotaque era mesclado entre africanos, espanhóis, nativos e visitantes. O processo político na Argentina foi bastante complicado e diferente do nosso. A independência de Buenos Aires ocorreu em 1810, a “abolição da escravidão” (entre aspas mesmo) ocorreu em 1813, e de fato em 1860 quando Buenos Aires se uniu a federação Argentina. Houve também inúmeras batalhas internas ao longo do século XIX entre as províncias argentinas, revelando-nos um caso ímpar.
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O valor dado ao negro africano escravizado era o mesmo no Brasil e na Argentina, o de “peça”, mercadoria ou material para mão-de-obra. Todavia, parece que o português foi mais receptivo às misturas raciais, até pelo seu interesse de povoar o Brasil. O argentino ao contrário, forçou a invisibilidade dos africanos empurrando-os para as frentes das inúmeras guerras, deixando-os ao sabor de insalubres recantos com a ameaça de violentas pestes assolando o país, e forçando a miscigenação das mulheres viúvas negras, com os imigrantes europeus brancos que chegavam para trabalhar.
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Todas estas negações produziram resistências sócio-políticas e culturais. A presença afro-argentina fez-se nos Candombes (festas com dança e música de negros), o negro de lá também esteve nas ruas ao ganho cantando seus pregões. Como todo porto da era colonial, os carregadores do pesado foram inevitáveis cantando e ritmando pela cidade com suas cargas; e mais: bandas de músicos (as murgas), comparsas de carnaval, lavadeiras cantando na beira do Rio da Prata, e os famosos bailes de negros.
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Neste misto de encontros e desencontros após o fim da guerra do Paraguai em 1870, nasce o Tango, palavra com vários significados desde o latim “tocar, tanger” até a origem africana afirmada por Picotti como vocábulo bantu que quer dizer círculo, reunião, baile de negros, tambor. Outra vertente citada por este autor argentino é que a palavra tango seria oriunda do nome Shangô, o Deus iorubano do trovão.
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Segundo a história da música o nosso tango foi registrado oficialmente antes do tango argentino, em 1871 por Henrique Alves de Mesquita com o nome de “Olhos matadores”. O tango brasileiro seria descendente direto dos lundus (primeira música afro-brasileira vinda dos batuques), com as habaneiras cubanas e os tangos espanhóis. Os tangos brasileiros foram criados em sua maior parte sem letras, destinados mais para a dança, embora o grande compositor de tangos brasileiros Ernesto Nazareth afirmasse que seus tangos eram músicas para serem ouvidas e não dançadas.
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Os bailes de negros na Argentina entre 1860 e 1870 eram anunciados eventualmente como “Tangos dos negros”. O nascedouro do tango argentino ficou registrado aproximadamente no ano de 1880 por Angel Villoldo com o nome de “El Choclo”. As origens musicais do tango argentino seriam os candombes (ou batuques de negros) e sua irmã milonga, com a habaneira cubana e os tangos espanhóis. O tango na argentina apareceu como expressão folclórica das populações urbanas, pobres dos prostíbulos e cortiços portuários. Em sua fase inicial o tango argentino era puramente dançante.
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Quanto à estrutura musical tanto o tango brasileiro quanto o argentino possuíam ritmos em compasso binário 2/4, eram repleto de síncopes (ritmo pregnante na cultura africana), quase todos na forma A-B-A, alguns com canto responsorial (maneira de cantar do africano). Os brasileiros em sua maioria preferiam os modos maiores, e os argentinos alternavam suas composições entre os modos maiores e menores. A temática dos tangos brasileiros versava no estilo alegre e jocoso, já os argentinos pelos estilos tristes e lamentosos.
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Nestes primórdios o tango brasileiro foi dançado como o lundu e depois fixou-se como a dança do maxixe com pares de cavalheiros e dama. O tango argentino foi dançado como milonga por duplas de cavalheiros, inicialmente pela falta de damas. Note-se que até este momento as danças de pares não permitiam uma maior aproximação corporal entre homens e mulheres.
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A luz do século XX Brasil e Argentina buscavam afirmar suas identidades e mais uma vez a cultura veio para dar suporte aos nacionalismos desejados. O tango então floresceu como um fenômeno para os argentinos que criaram um estilo próprio de compor, tocar, cantar e dançar, sendo reconhecido mundialmente como a marca mais indelével de argentinidade. O tango brasileiro trocou de nome em função das exigências comerciais da época, reforçando cada vez mais as tendências sincopadas dos maxixes e dos choros desaguando no samba, logo, cartão postal do país e sinônimo de brasilidade.
*
Um olhar mais atencioso sobre as concordâncias e discordâncias de cariocas e buenairenses sobre a arte do tango, nos revela que os elementos ritmo e dança foram as contribuições mais importantes das matrizes africanas para este gênero. Nossa descendência africana se fez representar no âmbito cultural para sustentar o pertencimento de cada nação. Da sutileza de sentimentos a mais profunda sensação, do alegre e jocoso jeitinho tanguístico brasileiro, ao melancólico e visceral sestro tanguístico argentino: “Compor, cantar, tocar e dançar o tango, é vestir-se com o dom que se tem!”.
Este Texto Foi Publicado Em:
*África em Nós Secretaria do Estado de Cultura de São Paulo http://www.africaemnos.com.br

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

*Atletas Negros Do Atletismo Repetem A História de Vitórias de Jesse Owens em 1936 na Alemanha no Campeonato Mundial de Atletismo de Berlim 2009*

*COM DIREITO A QUEBRA DE RECORDES*












A prova da Maratona do Campeonato Mundial de Atletismo da Alemanha de 2009 coroou dois quenianos e um etíope: O queniano Abel Kirui quebrou o recorde do Mundial de Berlim com o tempo de 2h06m54s e conquistou a medalha de ouro na maratona masculina da competição. A medalha de prata ficou com o também queniano Emmanuel Kipchirchir Mutai, com o tempo de 2h07m48. O bronze foi para o terceiro colocado, o etíope Tsegay Kebede, com 2h08m35s.

Nas provas de corrida do estádio também um negro destacou-se chegando a ser chamado de LENDA pelas vitórias e recordes conquistados em uma mesma competição. O jamaicano Usain Bolt foi o grande nome do Campeonato Mundial de atletismo, encerrado nesse domingo em Berlim. Ele quebrou dois recordes mundiais, obteve três ouros (nas duas provas anteriores e) e ainda tornou-se o primeiro a bater os recordes das duas provas mais velozes na mesma edição do Mundial.

Em 1936 outro negro nascido no Estado do Alabama e neto de escravos, o qual se chamava Jesse Owens, tornou-se conhecido não só pelos quatro ouros conquistados em Berlim (100m, 200m, revezamento 4x400m e salto em distância), mas, também pela luta contra o racismo. Aclamado pelo público local, Owens não recebeu os cumprimentos do então chefe de Estado alemão Adolf Hitler, que preferiu se retirar do estádio a congratular o medalhista. Usain Bolt a LENDA deste Mundial de Atletismo declarou que conhecia a história de Jesse Owens e pretendia “fazer o meu melhor para sentir de Owens viveu".

*Foto 1:Jesse Owens e Usain Bolt.
*Foto 2: Abel Kirui, Emmanuel Kipchirchir Mutai, Tsegay Kebede.
*Fonte:http://jbonline.terra.com.br/
www.estadao.com.br/noticias/esportes,maratona...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

♫Correlações Entre o Pé de Alface, duas Brincadeiras de Roda e Símbolos Míticos Afro-Brasileiros♫

*Por Denise Guerra*
*Foto 1
Os nativos do Rio de Janeiro já devem ter ouvido a famosa Cantiga de Roda “Plantei um Pé de Alface” cuja letra é assim: “Plantei um pede alface, a chuva quebrou um galho(bis); Rebola chuchu, rebola, rebola se não eu caio(bis).” Mas, tem outra cantiga de Alface talvez menos conhecida, presente no sudeste brasileiro que é esta: “Plantei um Pé de Alface no meu quintal, nasceu uma neguinha de avental; Rebola neguinha, rebola neguinha que eu quero ver; Balança esse braço, balança esse braço que tem cecê. Menina bonita, menina bonita que é você(bis).” Observando as diferentes dinâmicas destas brincadeiras, vemos que na primeira cantiga todas as crianças fazem os movimentos de mãos dadas na roda sem um solista. Já na segunda forma do Pé de Alface, há sempre uma criança solista no meio da roda que representará os personagens Pé de Alface e neguinha de avental a qual, de olhos vendados, apontará e escolherá a menina bonita da roda que a substituirá na repetição da brincadeira. O curioso deste último brinquedo cantado é que a criança que fica no meio da roda passará por várias experiências, desde ser a menina bonita escolhida para entrar na roda, a hortaliça Alface, até a neguinha de avental. No entanto, na primeira cantiga da Alface todos devem realizar as atividades igualmente, “Rebolar” como o chuchu e cair no chão conforme diz a letra.

*Foto 2
Eis que encontrei em Lopes (2004) a seguinte informação sobre a hortaliça em questão: “Alface (Lactuca Sativa) Erva da família das compostas. Na tradição ritual afro-cubana, sendo folha que refresca Oxum e Iemanjá. É usada para tapar as sopeiras que guardam os Otás* destas iabás*.” As citadas orixás, guardadas as devidas variações encontradas nos países que mantém seu culto, e na própria mítica iorubana, são referenciadas como orixás das águas doces(Oxum) e salgadas(Iemanjá). À epifania de Iemanjá é dada como mãe de quase todos os orixás, deusa da beleza e do amor. Coincidentemente para Oxum os atributos são também como deusa da beleza e do amor, além de ser deusa da riqueza. Voltando às cantigas de roda do início deste tema podemos pensar o seguinte: As duas cantigas sobre o Pé de Alface fazem referência às atividades rurais de plantio; Talvez as crianças estivessem relacionando no brincar o labor de seus pais, e a água, neste caso, símbolo principal das orixás citadas é imprescindível. As danças realizadas nos dois brinquedos cantados da Alface são o “Rebolar” faceiro e talvez sedutor dos ritmos regados às síncopes no modo africano de musicar e dançar; ato coreográfico este, por vezes, de cunho pejorativo atribuído ao negro por causa dos seus gingados corporais. A segunda cantiga da Alface é muito significativa com relação à vivência do africano no Brasil, pois, o preconceito comparece com todos os desvalores possíveis: planta-se o Pé de Alface e nasce uma neguinha de avental (seria uma antecipação da condição servil destinada ao negro?), é a esta personagem que se pede para rebolar (estigmas de sexualização do corpo negro?), e ainda é ela que também tem cecê (preconceito que aponta o negro sujo?). Por fim a menina bonita que é alvo de escolha é aquela que está fora da roda, ou seja, não é a neguinha que está no meio da roda. Na primeira cantiga as crianças tratam-se de chuchu, um certo elogio que se faz à “beleza” de outra pessoa.
*Foto 3
Concluindo então: A Alface que deve refrescar as orixás citadas e guardar seus Axés plantados nos otás, foi cantada nas brincadeiras de roda mostrando diversos elementos que se referem ao tratamento desigual dados pela nossa sociedade aos nossos irmãos negros. Faz-se provavelmente alusão a um espaço rural, e um período histórico talvez com uma divisão de classes sociais entre escravos e não escravos, mas, também com pontos míticos amarrados no simbolismo da roda. Contudo, um rasgo de resistência se acende no lúdico infantil, pois, todos da roda devem experimentar o lugar do outro e assim compartilhar sentimentos, desejos e a cultura corporal brasileira. A menina bonita e o tratamento de chuchu nas letras das cantigas de roda apresentadas aqui podem servir como um mote à beleza. O simbolismo desta hortaliça em flor brotando e crescendo como a criança ou como o Axé das Orixás, tinge de Verde a Esperança de dias melhores, pois, a criança só sabe do preconceito quando alguém lhe apresenta!


Vocabulário Afro:
*Axé=Termo de origem ioruba que, em sua acepção filosófica, significa, a força que permite a realização da vida; que assegura a existência dinâmica; que possibilita os acontecimentos e as transformações
*Otá=pedra onde se assenta a força mística (Axé) do Ori.*
*Ori=Na tradição dos orixás, denominação da cabeça humana como sede do conhecimento e do espírito.
*Iabá=Na tradição jeje-nagô brasileira, nome genérico dos orixás femininos.

Referências:
*LOPES, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
*Revista Afro-àiyé: Cultura – Sociologia – Religião. São Paulo: Mythos Editora Ltda, 2006.

Foto 1:http://www.terraagrosul.com.br
Foto 2:http://www.revistaquilombo.com.br
Foto 3: http://www.alec.ac.gov.br/alec/edvaldo
magalhães/images/stories/fotosdodia/ciranda

domingo, 16 de agosto de 2009

*Saiu a Edição nº6 da Revista África e Africanidades* CONFIRA!!!















*Saiu a Revista África e Africanidades nº6 - Agosto/2009 - Assino a Coluna: Som e Movimento que nesta edição traz:

*Entrevista com o Moçambicano Matchume Zango da Orquestra Timbila Muzimba de Moçambique*

*Texto: AIÚ: A Herança Africana dos Jogos de Mancala no Brasil*

*http://www.africaeafricanidades.com

*Foto 1 Matchume Zango: http://pairon.canal.blog.com/images/
*Foto 2 Africanos jogando Aiú ou Mancala: http://aerobiologicalengineering.com

sábado, 15 de agosto de 2009

*CURSO de Extensão UFRJ: ÁFRICA E BRASIL: IMAGENS EM DEBATE*

*CURSO de Extensão UFRJ:
ÁFRICA E BRASIL: IMAGENS EM DEBATE

*26 de Agosto a 07 de Outubro de 2009
*Coordenação Professoras:
Drª Carmem Tindó Secco
Drª Edna Bueno
Drª Maria Teresa Salgado
*Ementa: Ciclo de Palestras, a partir de curtas e médias-metragens, cujo objetivo é pôr em discussão aspectos literários, históricos, antropológicos, religiosos, enfim, questões culturais relacionadas ao continente africano com o Brasil, buscando a desconstrução de estereótipos, apontando os múltiplos campos de trocas culturais entre a África e o nosso país, evidenciando, sobretudo, a pluralidade e a riqueza cultural do continente.

*Horários: 3ª e 4ª feiras -13:30 às 15:30
*50 vagas ou mais – 9 Encontros
*Inscrições a partir de 19/08/09 – Setor Cultural FL – sala D115 – Das 10:00 às 16:00h
*Tel: 2598.3706

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

♫Imperdível Evento Estreitando os Laços Entre o Brasil a África e Suas Diásporas: "Back 2 Black Festival" 28 a 30/08 - Na Leopoldina - Rio de Janeiro♫


UM DIA TODOS NÓS FOMOS NEGROS

“A África é Mãe. Mãe da humanidade.
Matriz de culturas dispersas pelo mundo.
A voz primordial da África ecoa hoje ao longo das Américas,
nos terreiros de candomblé e santeria,
nas alegres avenidas por onde desfilam as escolas de samba,
nas rodas de capoeira ou nos bares de jazz”
José Eduardo Agualusa
De 28 a 30 de agosto, o Rio de Janeiro recebe a primeira edição do Back2Black Festival, na histórica estação da Leopoldina. O Back2Black Festival será um evento de proporções internacionais com o objetivo de relembrar a África como berço da civilização e celebrar o continente como pólo de discussão política e difusor de cultura.

Serão três dias de conferências, shows musicais, apresentações de dança, projeções de filmes, enfim, diversas manifestações político-culturais que evidenciam as particularidades do continente africano. Não se trata de um festival étnico. “O Back2Black Festival procura resgatar a importância da África em termos globais, para muito além dos eventos específicos do continente. Nossa abordagem vai desde a aparição do homem em tempos remotos naquela área até a miscigenação e os desdobramentos políticos e multiculturais ocorridos a partir de então, porque um dia todos nós fomos negros”, contextualiza Connie Lopes, diretora da Zoocom Eventos, empresa responsável pela concepção e realização do festival.
O Back2Black Festival pretende estimular a discussão e a reflexão a partir de temas que abrangem desde a atual situação no continente até o futuro da África, passando pelo desenvolvimento político-social a partir das artes. O que pode a África fazer para recuperar seu papel de continente produtor de cultura? O que podem os americanos de origem africana fazer para apoiar o continente africano no combate pela pacificação, a democratização e o desenvolvimento? Como criar pontes de afeto, estabelecer parcerias, criar as bases para um comércio mais justo? Essas são algumas das questões que serão abordadas durante o evento. As conseqüências desse processo, inevitavelmente, serão acompanhas e sentidas pelo resto do mundo.
Para os painéis de debate, foram escaladas personalidades de várias gerações, como a ativista política moçambicana, esposa de Nelson Mandela, Graça Machel e o músico senegalês Youssou N'Dour. O escritor e pintor sul-africano Breyten Breytenbach, um dos nomes mais fortes de resistência ao apartheid nos anos 1960, também estará presente. O Back2Black Festival traz, ainda, de um lado, o humanista popstar irlandês Bob Geldof, organizador dos concertos Live Aid e Live 8, criados para angariar fundos para os países da África e, do outro, a economista zambiana Dambisa Moyo, autora do recém-lançado livro “Dead Aid”, no qual defende a polêmica tese de que a ajuda internacional piora a vida dos africanos. Completam a lista o cineasta sul-africano vencedor do Oscar Gavin Hood (pelo filme Tsotsi), o escritor angolano José Eduardo Agualusa - curador das conferências do evento - e os brasileiros Gilberto Gil, Alberto da Costa e Silva, Kátia Lund e MV Bill.

Não menos importantes são os nomes dos artistas que compõem os quadros musicais. Logo na estreia, dia 28, o Back2Black Festival traz shows de Gilberto Gil e Youssou N’Dour, “a maior voz da África”, com participação de Marisa Monte. No sábado, 29, se apresentam MV Bill e a banda Black Rio (com Ed Motta e Mano Brown e MC Ice Blue, ambos do Racionais MCs) numa homenagem a Tim Maia. No domingo, 30, Mart´nália comanda uma celebração do samba que traz, do lado brasileiro, D. Ivone Lara, Marina Lima, Luiz Melodia, Maria Gadu, Margareth Menezes e Rodrigo Maranhão; Angelique Kidjo (Benin), Paulo Flores (Angola) e Mayra Andrade (Cabo Verde) representando a África; e a abrilhantada bênção da cubana Omara Portuondo. O evento contará também com a participação de DJ's que vão misturar os ritmos africanos como o Kuduro entre outros com os ritmos brasileiros.

Para um evento desse porte, a Estação da Leopoldina será especialmente adaptada pela consagrada cenógrafa Bia Lessa, que transformará o local em uma pequena África no Rio de Janeiro, a partir de mapas, textos e fotos estrategicamente distribuídos pelo espaço. Todo o evento será documentado e dará origem, no fim do ano, ao Back2Black Manifesto, um conjunto que compreende livro, exposição e um documentário cinematográfico. Parte desse material será destinada a escolas de ensino médio e fundamental em todo o país. Jornalistas brasileiros e estrangeiros serão co-autores das conclusões a serem publicadas no Back2Black Manifesto.

Nesses três dias, o Back2Black Festival se propõe, sobretudo, a ser um ponto de encontro: da política com a cultura; da consciência social com a música; da dança com o cinema; da literatura com o consumo; da tradição histórica com o pensamento contemporâneo; do homem consigo mesmo. Daí a característica única e ao mesmo tempo abrangente do Back2Black Festival. Afinal, um dia, todos nós fomos negros.


PROGRAMAÇÃO:
28 DE AGOSTO (SEXTA-FEIRA)
20 às 21h30- conferência - “Construindo Utopias” *Bob Geldof
Cantor, compositor e ativista irlandês, o ex-Boomtown Rats (e Cavaleiro da Coroa Britânica) Sir Bob Geldof é o responsável pelo megafestival Live Aid, em benefício da Etiópia - e posteriormente, com o Live 8, de toda a África.


Breyten Breytenbach
O artista sul-africano Breyten Breytenbach nasceu na cidade de Western Cape, e foi um dos grandes nomes na luta contra o Apartheid. Pintor e escritor, foi preso por retornar a África do Sul após se casar com uma francesa de origem vietnamita - contrariando a proibição vigente à época. Foi preso e libertado após forte mobilização internacional, retornando para a França, onde ajudou a fundar a Okhela - um grupo de resistência ao Apartheid composto por exilados. Atualmente, preside o Gorée Institute, no Senegal.


mediador: José Eduardo Agualusa
Agualusa é um premiado escritor e cronista Angolano, de grande sucesso em Portugal - onde estudou agronomia. Já teve sua obra traduzida para diversos países, encontrando reconhecimento internacional em 2007 ao se tornar o primeiro escritor africano a vencer o cobiçado Prêmio de Ficção Estrangeira do jornal britânico The Independent.


Shows: “As Vozes da África e do Brasil”
22h - Gilberto Gil (show acústico)


23h30 - Youssou N’Dour (participação: Marisa Monte)
Cantor e percussionista senegalês, nascido em Dacar, N'Dour é figura central na cultura africana e na política de seu país. Possivelmente o cantor mais conhecido da África, começou ainda nos anos 70, ao lado da Star Band. Ao final daquela década e começo dos anos 80, o músico já havia desenvolvido estilo próprio e começava a formar o conjunto que o acompanha até hoje. Já gravou com nomes como Neneh Cherry, Bruce Springsteen, Paul Simon, Sting, Peter Gabriel e Tracy Chapman, além de ter vencido o Grammy de Melhor Álbum de World Music Contemporânea em 2005 por "Egypt".


29 DE AGOSTO (SÁBADO)
20 às 21h30 – conferência: “Cultura e Desenvolvimento” *Gavin Hood
O cineasta sul-africano Gavin Hood tem uma trajetória interessante: educado em Direito em Johanesburgo, e em cinema em Los Angeles, Hood começou dirigindo curtas-metragens para o Ministério da Saúde de seu país. Depois de poucos longas (um deles em polonês) e uma indicação como “Top 10 Cineastas Promissores” pela revista Variety, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “Tsotsi” (de 2005). Seu passo seguinte foi ousado: assumiu o comando de uma das franquias mais lucrativas da história do cinema – e um dos personagens mais queridos dos quadrinhos – ao dirigir o filme “X-Men Origins: Wolverine”. Youssou N’DouR - MV Bill - mediador: Kátia Lund


Shows
22h – Mv Bill
23h30 – Banda Black Rio – show em homenagem a Tim Maia
convidados especiais: Ed Motta - Mano Brown (Racionais Mcs) - Ice Blue (Racionais Mcs)


01h – Encontro das Periferias:
Funk Carioca: - DJ Sany Pitbull e bailarinos - Kuduro de Angola:
- DJ Znobia e bailarinos Cria do Bairro do Rangel, na capital da Angola, Luanda, o DJ Znobia é considerado um dos maiores nomes da produção musical local. Alcançou popularidade ao mesmo tempo em que seu estilo de escolha, o Kuduro, começava a ganhar espaço pelo mundo – através de nomes como M.I.A., Diplo, e Buraka Som Sistema. O produtor auto-didata começou como dançarino, imitando passos de Michael Jackson. Depois de tentar uma carreira de cantor sem ser levado a sério, resolveu aprender a produzir observando outros DJs atuarem. Hoje, é referência na cena, com canções e remixes em alta nas pistas européias.
Krumping de Los Angeles - DJ Goofy - Miss Prissy - Estrela do filme “Rize”, de David LaChapelle. Também já trabalhou com Madonna. - Deuce - Bad Newz - Out Law

30 DE AGOSTO (DOMINGO)
17h às 18h30- conferência: “A África na Construção do Mundo. O Futuro” *Dambisa Moyo

- A economista pós-graduada pelas Universidades de Harvard e Oxford Dambisa Moyo nasceu em Lusaka, na Zâmbia. Após trabalhar no Banco Mundial e no banco de investimentos Goldman-Sachs, Moyo tornou-se diretora de uma fundação que atua na área de microfinanciamentos na África. Causou polêmica recentemente com a publicação do livro "Dead Aid" ("Ajuda Morta"), onde condena o envolvimento de celebridades com a causa Africana, afirmando que a única chance do continente para o desenvolvimento é o investimento interno e a conscientização dos governos locais. Foi escolhida em maio deste ano pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

*Graça Machel é moçambicana, nascida em 1945, e uma respeitada defensora dos direitos das mulheres e das crianças. Terceira esposa de Nelson Mandela, Graça também é viúva do ex-presidente de Moçambique, Samora Machel. Foi Ministra da Educação e da Cultura em sua terra natal, e seu trabalho humanitário já foi premiado diversas vezes.

*Gilberto Gil músico brasileiro, compositor, ex-ministro da cultura do Brasil.
mediador: Alberto da Costa e Silva


Show: “Celebração do samba” - conduzido por Mart’nalia
19h - Mart’nalia
Brasil:
- Dna. Ivone Lara
- Luiz Melodia
- Marina Lima
- Maria Gadu
- Margareth Menezes
- Rodrigo Maranhão
África:
- Angelique Kidjo (Benin)
Nascida no Benin, a cantora Angélique Kidjo é uma das maiores estrelas da música no continente africano. Vencedora do Grammy de Melhor Álbum de World Music Contemporânea em 2008, com “Djin Djin”, Kidjo apresenta no disco convidados do naipe de Peter Gabriel, Alicia Keys, Joss Stone, e o guitarrista Carlos Santana.

- Paulo Flores (Angola)
Paulo Flores começou a gravar no final dos anos 80, e hoje é um dos músicos mais populares de Angola. Nascido em Luanda, Flores possui forte envolvimento político, tratando em suas letras de temas como guerra civil e corrupção. Seu estilo é o Semba - que apesar de não ser Samba, também canta as belezas da mulher e do povo Angolano.

- Mayra Andrade (Cabo Verde)
Nascida em Cuba e criada em Cabo Verde, a cantora Mayra Andrade hoje vive na França, onde lançou seu último álbum, "Stória, stória...". Sua conexão com a música brasileira vai além da língua portuguesa: influenciada por nomes como Elis Regina e Caetano Veloso, parte de seu trabalho mais recente também foi gravada no Brasil. Recombinando referências multiculturais, Mayra atingiu um som bastante individual, mas ao mesmo tempo, familiar a todos nós latinos.

Cuba:
- Omara Portuondo
Uma das mais notórias cantoras na história da música latino-americana, Omara foi redescoberta pelo resto do mundo no documentário do cineasta Wim Wenders, "Buena Vista Social Club" - que resgatou vários e geniais artistas cubanos relegados ao ostracismo. Durante os anos 50, a cantora teve breve sucesso nos Estados Unidos gravando ao lado de Nat King Cole com o Quarteto D'Aida, do qual fazia parte. Em carreira solo, apresentou-se diversas vezes na Europa e Estados Unidos, combinando de forma única a música cubana e o jazz. Ativista de forte preocupação social, Omara Portuondo gravou canções em que saúda o líder chileno Salvador Allende e o mito socialista Che Guevara. Sua carreira ganhou nova força com o sucesso de "Buena Vista", e desde então a artista já lançou mais de 10 novos álbuns, incluindo um em dueto com a cantora brasileira Maria Bethânia.
Back2Black Festival
Concepção, produção e realização: Zoocom Eventos Ltda (Connie Lopes, Julia Otero, Silvio Matos e Philippe Neiva)
Direção de arte e cenografia: Bia Lessa
Curadoria das conferências: José Eduardo Agualusa
Produtores Associados : Carla Vasconcelos e karla Osório
Produtora Executiva : Clarice Philligret

Assessoria de imprensa: Gilda Mattoso/ Marcus ViniciusTels; (21) 2523.1553 /0676mattosovinicius@mattosovinicius.com.br

terça-feira, 11 de agosto de 2009

♫“Homenagem do Blog aos ÍCONES da Cultura AFRO na Diáspora♫

♫Destacando Personalidades Negras e Suas Contribuições
Artísticas, Políticas, Sociais, Esportivas etc.

*VEJA OS ASTROS E SUAS REALIZAÇÕES NA LATERAL À ESQUERDA DO BLOG*

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

♫Humbiumbi – Música do Folclore Angolano Gravada por Djavan no Álbum Seduzir de 1980♫


♫Humbiumbi É O Nome De Um Pássaro Angolano Que Usa O Seu Canto Para Conclamar Pássaros De Outras Espécies Para Segui-Lo Em Seu Vôo. A Letra Esta Escrita No Idioma Umbundu Falado predominantemente no Sul de Angola. Trouxe-a para conhecer, lembrar e convidá-los à se integrar numa busca cotidiana em favor da diversidade e da igualdade entre os povos. Cantado por Djavan É Mágico, Ouça!!!

♫Humbiumbi♫

(Música Folclórica de Angola

Adaptação de Felipe Mukenga – Gravação Djavan)

Humbiumbi Yange Yele_La Tuende

Kakele Katchimamba Osala Posi

Humbiumbi Yange Yele_La Tuende

Kakele Katchimamba Osala Posi


Makuenle Vayelela Yele_La Tuende

Kakele Katchimamba Osala Posi

Makuenle Vayelela Yele_La Tuende

Kakele Katchimamba Osala Posi

Fonte: http://cifraclub.terra.com.br/cifras/djavan/humbiumbi-kztj.html

♫IIª EXPO DA CULTURA AFRO - O BENIN - ANCESTRALIDADE: UM DOS BERÇOS DA NAÇÃO BRASILEIRA♫

*NÃO PERCAM!!! 30/08/2009 - Rio de Janeiro*
♫NA QUADRA DA BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS♫
*Apresentação de Grupos Culturais *Concurso Beleza Negra*
*Artesanato e Comidas Típicas *IIº Troféu Identidade Negra*
*Maiores Informações: http://portalciafro.org.br/
*Tel:(021) 3761.3354 - 7837.3710

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

♫BALACO - ROUPAS E ACESSÓRIOS AFRO-BRASILEIROS♫

*A BALACO*
Misturando as influências africanas, a beleza natural, a sensualidade, a miscigenação e a multiplicidade de credos, a grife Balaco pode se traduzir por autenticamente brasileira.
Após um extenso estudo sobre o reflexo da cultura africana no Brasil, a designer Júlia Vidal, reflete na moda da Balaco a mistura das raças e culturas que se estabeleceu no Brasil.
Com isso, a Balaco traz nos seus looks um resgate dos nossos antepassados negros, mesclando com a moda contemporânea e atemporal.
O objetivo da Balaco é valorizar a identidade cultural brasileira, promover o auto-conhecimento, o trabalho com a memória, gerar uma história dinâmica e auxiliar o processo de construção de indivíduos plenos que criam e recriam a partir de sua história.A missão da Balaco é fazer com que cada peça revele, complete e exalte a identidade, a alegria, a força, a distinção e a similaridade de baianos, cariocas, pernambucanos, paranaenses, mineiros, acreanos, brasilienses, alagoanos...Brasileiros.

domingo, 2 de agosto de 2009

♫Luanda Jazz Festival - Brasil Esteve Presente com a Cantora Vanessa da Mata♫

*Por Denise Guerra*
♫1º Festival de Jazz de Angola (31/07 a 02/08)
Tem o Objetivo de Transformar Luanda no
Primeiro Centro de Referência do Jazz Africano♫
Foto http://pflores.no.sapo.pt
*Paulo Flores - Músico Angolano
Celebra 20 anos de carreira em 2009
Com Ritmos como a Kizomba e o Semba*
Para esta primeira edição, o Festival de Jazz de Luanda conta com a participação dos seguintes artistas: os angolanos Jimmy Dludlu, Totó, Paulo Flores, Afrikkanitha, Sandra Cordeiro, Dodó Miranda, e ainda um naipe de músicos estrangeiros, entre os quais McCoy Tyner, Yellow jackets (Estados Unidos da América), Lira, Freshlyground, Marcus Wyatt, Language 12 (África do Sul) e Vanessa da Mata (Brasil).

Num casamento harmonioso entre o som vibrante do saxofone, da guitarra e do teclado com a beleza da poesia africana, expressa pela voz de alguns nomes sonantes do mercado musical nacional e internacional, o primeiro Festival Internacional de Jazz de Luanda começou nesta sexta-feira, no Cine Atlântico, com a presença da ministrada Cultura, Rosa Cruz e Silva. Para a ministra, Luanda acolhe com este espetáculo um momento singular de poesia, através deste gênero musical eternizado por vários poetas, inclusive o “Poeta Maior”, António Agostinho Neto no poema “A voz de sangue”. “A relação entre a poesia e a música tornam-se uma realidade evidente no Jazz e o festival é a expressão de que este género musical está a voltar às suas origens”, destacou Rosa Cruz e Silva, que realçou igualmente o esforço do crítico e maior divulgador do Jazz em Angola, Jerónimo Belo, pelo seu contributo na valorização e preservação deste estilo.
*Jimmy Dludlu- Guitarrista Moçambicano,
Seu trabalho Conjuga Ritmos Afro tradicionais
Com Jazz, Samba, Funk, Reagge e Soul*
A abertura do festival ficou por conta do músico Dodó Miranda que desfilou um repertório de nove músicas, na sua maioria poemas musicados e conhecidos do público como “Monangambe” e “Humbi Humbi” gravado no Brasil por Djavan. Dodó Miranda efetuou, num jogo de imitação de vozes, uma homenagem ao malogrado músico Michael Jackson ao cantar o tema “USA for África”.
Ontem, o festival levou à apreciação do público a fusão rítmica de Totó, o tradicionalismo do grupo sul-africano Freshlyground, o semba de Paulo Flores e a miscigenação de jazz e bossa nova da brasileira Vanessa da Mata. O primeiro Festival Internacional de Jazz de Luanda encerra-se hoje com uma das principais artistas deste gênero no país, Afrikkanitha, o compositor e trompetista sul africano Marcus Wyatt, o emblemático pianista americano McCoy Tyner e a sul africana Lira, identificada naquele país como a voz do futuro do jazz.
Os empresários patrocinadores do Festival Internacional de Jazz de Angola declararam que pretendem fazer do festival um acontecimento com uma periodicidade anual, na perspectiva de mostrar uma imagem positiva junto aos apreciadores do gênero musical: “O objetivo maior é transformar Luanda num centro de referência do jazz."
*A Brasileira Vanessa da Matta Mistura Jazz e Bossa Nova no
1º festival Internacional de Jazz de Angola*

Fontes:

♫ESCOLA DE MÚSICA PENTAGRAMA♫ Direção Mapinha * Músico-Professor♫

♫ESCOLA DE MÚSICA PENTAGRAMA♫ Direção Mapinha * Músico-Professor♫
♫VIOLÃO * CAVAQUINHO * GUITARRA * BAIXO * FLAUTA * SAXOFONE * TROMPETE * TROMBONE * CLARINETE * GAITA * PIANO * TECLADO * CANTO * BATERIA * PERCUSSÃO GERAL♫ RUA IGARATÁ, Nº566 - MARECHAL HERMES - Rio de Janeiro* TEL(S):3456-1510/8133-3559* www.empentagrama.kit.net

*Registrado no Creative Commons*

Licença Creative Commons
Afro-Corporeidade e Africanidades de Denise Guerra dos Santos é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Based on a work at afrocorporeidade.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://afrocorporeidade.blogspot.com.

*FRUTOS DA DIÁSPORA AFRICANA*

*ACESSE http://www.africaeafricanidades.com.br*

*ACESSE  http://www.africaeafricanidades.com.br*

*"Capoeira é de Todos e de Deus. Mundo e gentes têm mandinga, Corpo tem Poesia, Capoeira tem Axé"*

*"Capoeira é de Todos e de Deus. Mundo e gentes têm mandinga, Corpo tem Poesia, Capoeira tem Axé"*
*Frase do Livro "Feijoada no Paraíso" Besouro*
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♫SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS♫

  • *CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.
  • *COSTA, Clarice Moura. O Despertar para o outro: Musicoterapia. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
  • * FREGTMAN, Carlos Daniel. Corpo, Música e Terapia. São Paulo: Editora Cultrix Ltda,1989.
  • *EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.
  • * FREYRE, Gilberto. Casa grande e Senzala. 50ª edição. São Paulo: Global Editora, 2005.
  • *HOBSBAWN, Eric J. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
  • *LOPES, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
  • *_________. Dicionário Escolar Afro-Brasileiro. São Paulo: Selo Negro, 2006.
  • *_________. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • *_________. O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical: Partido Alto, Calango, Chula e outras Cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
  • PEREIRA, José Maria Nunes. África um Novo Olhar. Rio de Janeiro: CEAP, 2006.
  • *RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • *ROCHA, Rosa M. de Carvalho. Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro: Uma proposta de intervenção pedagógica na superação do racismo no cotidiano escolar. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006.
  • *___________. Educação das Relações Étnico-Raciais: Pensando referenciais para a organização da prática pedagógica. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.
  • *ROSA, Sônia. CAPOEIRA(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *__________. JONGO(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *___________. MARACATU(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *SANTOS, Inaicyra Falcão. Corpo e Ancestralidade: Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
  • *SODRÉ, Muniz. Samba o Dono do Corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
  • TINHORÃO, José Ramos. Música Popular Brasileira de Índios, Negros e Mestiços.RJ: Vozes, 1975.
  • _________ Os sons dos negros no Brasil. São Paulo: Art Editora, 1988.