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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

♫O BERIMBAU PODE SER O ANCESTRAL DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS FEITOS DE CABAÇA COMO O GOJE E A VIOLA BRASILEIRA. VEJA SUAS HISTÓRIAS♫

*BERIMBAU*

Trazido para o Brasil pelos escravos, o Berimbau é um instrumento de percussão da família dos cordofones. De suposta origem africana, tornou-se conhecido através das manifestações culturais como o samba de roda, candomblé e a capoeira, onde tem a função de marcar o ritmo da luta.


O nome de origem do conhecido arco musical é termo angolano Urucungo. Berimbau é uma palavra brasileira e onomatopéica, que imita o som do instrumento. Porém, também pode ser associado ao nome mbirimbau, vindo do termo Balimbano.

O instrumento é constituído de um arco feito de uma vara de madeira de comprimento aproximado de 1,20m e um fio de aço (arame) preso nas extremidades da vara.


Em uma das extremidades do arco é fixada uma cabaça que funciona com caixa de ressonância. O som é obtido percutindo-se uma haste no arame; podendo variar abafando o som da cabaça e (ou) encostando uma moeda de cobre no arame. Complementa o instrumento o caxixi, uma cestinha de vime com sementes secas no seu interior.


*HISTÓRIA DO BERIMBAU


O berimbau é talvez um dos instrumentos musicais mais primitivos de que se tem informação. Alguns pesquisadores acreditam que o arco musical resultou do desenvolvimento do arco de caça, cuja invenção pode ter ocorrido em algum momento entre 20.000 e 15.000 anos passados, no norte da África.


Outros já supuseram exatamente o contrário: o arco de caça é que teria se originado do arco musical, e, para aumentar o elenco de possibilidades, existem opiniões que discordam das anteriores: o arco musical e o arco de caça tiveram origem e desenvolvimento completamente independentes um do outro.


Mas são pinturas localizadas em uma caverna na região sudeste da França e datadas do período da pré-história que surgem com prova da história muito antiga desse marcante instrumento. Figuras retratam um homem que se veste com peles de bisão, segurando um objeto que se parece com o arco. Assim, é possível fixar o período por volta de 15.000 a.C. como a época em que provavelmente ocorreu o seu uso pelo homem primitivo.


O arco musical também se fez presente nas antigas culturas egípcia, assíria, caldéia, fenícia, persa e hindu. Na África, muitas espécies do berimbau musical podem ser encontradas entre tribos de Uganda, pigmeus do Congo, em Angola e em outras regiões.


No Brasil, ele também é conhecido por várias outras terminolgias como rucungo, urucurgo, orucungo, oricungo, uricungo, rucungo, ricungo, berimbau de barriga, gobo, marimbau, bucumbumba, bucumbunga, gunga, macungo, matungo, mutungo, aricongo, arco musical e rucumbo. No sul de Moçambique, tem o nome de xitende, e em Angola é chamado hungu ou m"bolumbumba.


Os diferentes ritmos utilizados na capoeira, como tocados no berimbau, são conhecidos como toques em compasso binário e com variação dos andamentos, lento, moderado e rápido. Entre os toques mais conhecidos estão o São Bento Grande, o São Bento Pequeno (o mais rápido), Angola, Santa Maria, o toque de Cavalaria (que servia para avisar a chegada da polícia), o Amazonas e o Iuna.

GOJE

Quem me contou sobre o Goje foi o meu amigo Guará Matos, do Blog Jornal Afogando o Ganso, que descobriu este instrumento quando estava assistindo a uma coleção de DVDs sobre a “História do Blues”. O dito DVD citou o instrumento Goje, que tem uma ou duas cordas feitas de crina, com o bojo de “cabaça” e um arco também com crina, usado para obter som. O GOJE é um instrumento tipo a Rabeca e também parecido com o Violino, muito popular no Norte de Minas.

O Goje é tocado como instrumento solo, dando a música “emoção e brilho”. E por esse motivo ele é muito citado entre os “bluseiros”

A História do Delta do Mississipi, onde nasceu o Blues que posteriormente deu origem ao Jazz, conta que a guitarra acústica, utilizada pelos músicos de blues, foi inspirada nesse instrumento africano. Por isso aquele som “solado” com dedal de metal ou vidro, em contato com as cordas, que dá o tom lamentoso, quase chorando e que mostra todo o sofrimento do negro por aqueles lados.
*
O Goje, é um dos muitos nomes para uma variedade de viola de uma ou de duas cordas de crina da África Ocidental, quase exclusivamente tocada pelos grupos étnicos que habitam o norte de Gana, Sahel e o Sudão. Pele de cobra ou lagarto cobre uma tigela de cabaça, uma corda de crina é a ponte suspensa. Um Goje é tocado com um arco de corda. É comumente utilizado na música do povo da etnia hausá comum na Nigéria.
*GOJE*



O Goje costuma acompanhar a música, e normalmente é tocado como um instrumento solo, embora tenha também características predominantes em conjuntos com outras cordas africanas do oeste, instrumentos de sopro ou de percussão, incluindo o Shekere ou Ney.

*Veja os diversos nomes pelos quais o Goje é conhecido:
- Goge (Hausa/Zarma),
- Gonjey (Dagomba, Gurunsi), - Gonje (Mamprusi-Dagomba), - Njarka (Songhay), - N'Ko (Bambara, Mandinga e outros idiomas Mandê), - Imzad (Tuareg).


VIOLA BRASILEIRA FEITA DE CABAÇA

Aqui no Brasil temos um, podemos dizer “Luthier ou Artesão”, que faz uma espécie de viola com cabaças tocadas com cordas de viola, é o Levi RamiroNatural de Uru, pequena cidade do interior Paulista, hoje residente em Pirajuí, o violeiro e artesão tem sua trajetória marcada inicialmente pelo violão que o acompanhou nas primeiras composições e nos primeiros festivais. A partir de 1995, adotou a viola de cabaça como principal instrumento, absorvendo seu universo cultural que veio de encontro com suas raízes, motivo pelo qual ampliou sua produção musical, tanto na arte de tocar como na de fabricar o instrumento.



Com base nos valores da cultura caipira e misturando elementos que formam nossa Música Brasileira, Levi Ramiro celebra em suas composições, a poesia e a simplicidade da vida interiorana.

A Cabaça é uma fruta de uma planta parecida com a abóbora, conhecida também como porunga. Depois de seco, o fruto serve como caixa de ressonância para a fabricação artesanal da Viola Brasileira. Agora que conhecemos este novo instrumento brasileiro só falta agente ouvir a viola do Levi Ramiro.




Talvez possamos supor que o Berimbau, devido aos indicativos temporais do seu aparecimento (15.000 a 20.000 atrás), seja o ancestral mais antigo destes instrumentos feitos de cabaça. A grande doação da natureza além do som, matéria física solta no ar, são estas criações do homem para fazer ressoar sua criatividade e seu sentimento, Afinal, como diz a música Serra do Luar do compositor Walter Franco gravada pela cantora Leila Pinheiro:

“Viver é afinar o instrumento

De dentro prá fora

De fora prá dentro

A toda hora, todo momento

De dentro prá fora

De fora prá dentro

A toda hora, todo momento

De dentro prá foraDe fora prá dentro(...)

*FONTE: Informações sobre o Goje enviadas gentilmente pelo amigo Guará Matos do Blog Jornal Afogando o Ganso a quem agradeço.

*http://afogandooganso.blogspot.com

*http://www1.prefpoa.com.br/pwtambor

*http://pt.wikipedia.org/wiki/

*http://sitecurupira.blogspot.com

*http://leviramiro.multiply.com/journal

5 comentários:

Guará Matos disse...

Tá tudo dito, tá tudo dominado.
Bjs.

Meias de Seda (Suzy) disse...

Vivendo e aprendendo... Nunca tinha ouvido falar do Goje.
Adoro o som do berimbau. Aqui em casa tenho alguns trazidos da Bahia que uso como enfeite, porque tocar que é bom, ninguém aqui sabe...rsrs

Beijos;)

Denise Guerra disse...

É isso aí Suzy e Guará! O Berimbau além de muito bonito também tem uma origem muito interessante. Agradeço a visita de vcs dois! Bjs!

carla barroso disse...

Quanta Informação!! Estou pesquisando a musica da capoeira, alguém sabe se existe partituras de capoeira.

Grato

Carla

Denise Guerra disse...

Valeu Carla, sempre bem-vinda! responderei no seu email. Bjs!

♫ESCOLA DE MÚSICA PENTAGRAMA♫ Direção Mapinha * Músico-Professor♫

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♫SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS♫

  • *CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.
  • *COSTA, Clarice Moura. O Despertar para o outro: Musicoterapia. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
  • * FREGTMAN, Carlos Daniel. Corpo, Música e Terapia. São Paulo: Editora Cultrix Ltda,1989.
  • *EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.
  • * FREYRE, Gilberto. Casa grande e Senzala. 50ª edição. São Paulo: Global Editora, 2005.
  • *HOBSBAWN, Eric J. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
  • *LOPES, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
  • *_________. Dicionário Escolar Afro-Brasileiro. São Paulo: Selo Negro, 2006.
  • *_________. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • *_________. O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical: Partido Alto, Calango, Chula e outras Cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
  • PEREIRA, José Maria Nunes. África um Novo Olhar. Rio de Janeiro: CEAP, 2006.
  • *RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • *ROCHA, Rosa M. de Carvalho. Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro: Uma proposta de intervenção pedagógica na superação do racismo no cotidiano escolar. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006.
  • *___________. Educação das Relações Étnico-Raciais: Pensando referenciais para a organização da prática pedagógica. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.
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  • *__________. JONGO(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *___________. MARACATU(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *SANTOS, Inaicyra Falcão. Corpo e Ancestralidade: Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
  • *SODRÉ, Muniz. Samba o Dono do Corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
  • TINHORÃO, José Ramos. Música Popular Brasileira de Índios, Negros e Mestiços.RJ: Vozes, 1975.
  • _________ Os sons dos negros no Brasil. São Paulo: Art Editora, 1988.