♫AMIGOS DO AFRO CORPOREIDADE♫

sábado, 13 de fevereiro de 2010

♫BAHIANAS: UM SÍMBOLO DO BRASIL NO CARNAVAL E NA CULTURA♫



*Desenho de uma Bahiana carnavalesca por Cecília Meireles*





O vestuário chamado baiana é uma indumentária tradicional e é a mesma usada nos terreiros de candomblé. Existem roupas para todas ocasiões. A roupa de ração é a mais simples e as roupas feitas com bordado Richelieu podem custar por volta de quinze mil reais. A roupa de baiana pode tomar um colorido especial quando se trata das baianas de eventos turísticos. A roupa da baiana da Escola de samba é um caso a parte mudam de cor e modelo de acordo com o enredo da escola a cada ano, assim como as do Maracatu no Nordeste.


Roupa de ração é a roupa usada diariamente em uma casa de Candomblé. São roupas simples feitas de morim ou cretone. As roupas de ração podem ser coloridas ou brancas, dependendo da ocasião na roça de candomblé. Compõem o jogo: saia (axó) de pouca roda para facilitar a movimentação, singuê (espécie de faixa amarrada nos seios que substitui o sutian), camisu ou camisa de mulata, geralmente branco e enfeitado com rendas e bordados, calçolão (espécie de bermuda amarrada por cordão na cintura, um pouco larga para facilitar a movimentação e proteger o corpo em casos que se é necessário sentar no chão), pano da costa e o ojá, um pano que se amarra à cabeça.

*Bahiana do candomblé, religião afro-brasileira*



O axó tem uma representação muito grande no Jeje. A roupa fala de um simbolismo muito especial, que além de ético e moral, os axós dão para as mulheres posição e postura. É bonito se notar a forma e a reverência que estas roupas expressam em sua aparência e jeito: respeito acima de tudo! As mulheres de jeje, especialmente o mahin, quanto a composição de singuê, de xokotô (espécie de calça, também chamado "cauçulu"), saia, e camisu, compoem seu axó.
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O vestuário de uma Iyalorixá é diferente das roupas usadas pelas equédis(filhas de santo que não incorporam no santo e tem função de organizar as cerimônias sendo responsáveis pelos orixás durante o transe dos irmãos de santo) e iaôs(noviças da religião), é caracterizada pelo uso da "Bata" que é usada por fora da saia com o camisu por baixo, nas casas tradicionais somente a Iyalorixá pode usar, se ela permitir suas filhas egbomis podem usar também, mas nunca permitirá o uso da Bata por uma equédi, iaô ou abian.


A Bata é símbolo de cargo ou posto dentro da hierarquia do candomblé. O pano da costa dobrado sobre o ombro também tem sua representação, é um símbolo de cargo pois as iaôs o usam amarrado no peito, as egbomis na cintura e Iyalorixás no ombro. Normalmente, saias e Batas de bordado richelieu também só são usadas pelas Iyalorixás, assim como o pano da costa de Alaká africano.


Os turbantes também chamados de torço ou ojá, usados na cabeça normalmente são maiores e mais ornamentados, assim como determinados fio-de-contas não podem ser usados por pessoas que não tem cargo, o (fio de ouro) por exemplo só pode ser usado por Iyalorixás com mais de 50 anos de Santo, símbolo de senioridade (como o usado por mãe Menininha).

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Além do simbolismo do vestuário, existem muitos objetos que podem ser caracterizados e usados somente por Iyalorixás e Babalorixás, o anél de ouro com um búzio incrustado é um deles. O brinco de ouro com búzio antes também exclusivo das iyalorixás tornou-se de uso comum, sendo usado até por pessoas que não fazem parte da religião.


*Bahiana quituteira da Bahia*





Na nação Jeje o uso do Hungebê (colar de missangas) só é permitido a quem já fez a obrigação de sete anos, ou melhor, é quando a pessoa recebe o hungebê que passa a ser um vodunsi. Outra característica do vestuário é o uso do Ojá na cabeça, no Candomblé Jeje quem é de santo aboró usa o ojá com uma aba, e quem é de santa Iyabá ou Aiabá usa duas abas, nas outras nações algumas pessoas adotam esse uso.
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A baiana do acarajé (ou simplesmente baiana) é como são chamadas as mulheres que se dedicam à profissão de vendedora de acarajé e outras iguarias da culinária baiana. Na maioria da vezes são filhas ou mães de santo do candomblé que adotaram essa profissão autônoma principalmente por não ter um vínculo com patrão ou empresa. Isso se dá em virtude das obrigações do candomblé muitas vezes requererem sua presença por períodos variáveis de dias podendo chegar a um mês, e se tivesse um patrão seria quase inviável. Mulheres batalhadoras que com muita luta conseguiram a regularização da profissão junto aos poderes públicos. Uma das principais figuras típicas do Brasil, chega a ser uma caracterização obrigatória nas Escolas de Samba do país.
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Sua roupa também é de baiana, pode ser uma roupa simples com saia sem roda, bata, ojá na cabeça e os tradicionais fio-de-contas, ou mais sofisticada com todos os adereços como usam as baianas de eventos turísticos.

A indumentária típica das baianas constitui-se no marco característico da mulher afro-descendente da Bahia, que mantém vivas suas raízes históricas; como tal ela é representada em diversos eventos turísticos típicos, folclóricos, muitas vezes contratadas por empresas, em toda a Bahia e até fora dela. São de cores alegres, usam Batas de renda ou richelieu, e o turbantes ou torços são bem grandes e trabalhados, são independentes da hierarquia do candomblé, não precisa ser uma iyalorixá para usar Bata, todas usam. Um bom exemplo encontra-se na festa da Lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, ou nas Escolas de Samba, que obrigatoriamente têm uma Ala das baianas.
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*Roupa característica do Maracatu em Pernambuco*

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A semelhança na roupa característica do Maracatu de Pernambuco com as roupas das baianas é em virtude do Maracatu ser uma parte do candomblé pernambucano que é chamado de "Xangô do Recife" ou também chamado de Xangô do Nordeste por existir em outros estados do Nordeste brasileiro. As roupas podem ser simples como as usadas também nos blocos de rua e pequenos maracatus ou sofisticadas como nos grandes maracatus que muitas vezes são confeccionadas pela própria pessoa que vai usá-la, mantendo o sigilo e a surpresa para apresentar só no dia do cortejo. O vestuário pode ser bordado à mão, trabalho que pode demorar meses para ficar pronto. Ou feitas de rendas, veludo ou brocado, e normalmente a roupa da boneca Calunga figura principal do maracatu, é igual a de sua portadora.
A armação usada por baixo nos cortejos de rua como o Maracatu e escolas de samba, geralmente são feitas de arame ou de plástico, material mais leve do que as anáguas de tecido engomado normalmente usadas nas festas de candomblé.
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*Bahianas das Escolas de Samba do Rio de Janeiro*


A roupa clássica da ala das baianas de uma escola de samba compõe-se de torso, bata, pano da costa e saia rodada. Entretanto, a inventividade dos carnavalescos não tem limites e freqüentemente podemos ver baianas com as mais inusitadas fantasias, tais como noivas, estátuas da liberdade, seres espaciais, globo terrestre (foto) ou poços de petróleo. A confecção dessas roupas tornou-se uma indústria do carnaval que é uma das maiores fontes de emprego tanto para os componentes das escolas como para os profissionais contratados pelas escolas que tem emprego garantido durante o ano todo.

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O mito das bahianas se vivifica nos corpos através dos vestuários e fantasias. A magia do sagrado se extende ao rito do profano. A irreverência e a alma brasileira tem raiz, história e ancestralidade Afro. UM ÓTIMO CARNAVAL PRA TODOS!



11 comentários:

Guará matos disse...

As "baianas" são um dos maiores sibolismos do Carnaval carioca. Sempre quando passam as alas o público se emociona.
São maravilhosas.
Bjs.

lucidreira disse...

Muito boa essa matéria fiquei mais entendido na endumentária das baianas, apesar de ser baiano não tinha este conhecimento.
Bravo

Denise Guerra disse...

Oi Guará, minha opinião pessoal é a de que as Bahianas tem este lugar de destaque nas escolas de samba por que foram as tias bahianas que protegeram o nascer do samba abrigando os sambistas em suas casas para que ficassem longe dos olhos da dona justa no tempo em que o samba era contravenção. Este símbolo tem haver com a maternagem ao samba que elas ofereceram. Obrigada pelos comentários! bjs!

Denise Guerra disse...

Nossa, que surpresa Lucidreira! Eu achava que só os bahianos é que sabiam disso mais do que qualquer outro brasileiro. Então valeu a pesquisa! Obrigada pela visita e pelos comentários!

Silvana Nunes .'. disse...

Boa noite.
Estou vendo a Porto da Pedra na TV (escola de samba). Saca alguma coisa sobre o Galo da madrugada ? Escreve sobre ele.
Nem me fala deste problema, não consegui resolver e nem resposta alguma do Google. Quando eu tento adicionar vocês, uma vez que fui excluída do blog das epssoas, aparece uma mensagem dizendo que "o proprietário deste blog bloqueou a sua presenta nesse site".
Resolvi deixar para lá, já me estressei e não resolvi nada.
Beijo

Denise Guerra disse...

Oi Silvana, também tô vendo as escolas de samba aguardando ansiosa pela minha PORTELA! Não sei nada sobre o galo da madrugada mas, vou pesquisar. Que pena que vc não está conseguindo retornar ao quadro de seguidores, sinto falta da sua foto que é tão bonita! bom carnaval! Bjs!

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amiga
Embora não goste de brincar carnaval, admiro está manifestação de cultura do povo brasileiro.
Beijos

Denise Guerra disse...

Oi Wanderley, obrigada pela visita!Nossa cultura é tão mágica que dá para entrar nela mesmo sem estar implicado no fazer. É bom de ver e de sentir! Boa semana pra vc! Bjs!

Meias de Seda (Suzy) disse...

Oi, Denise! Adorei o post sobre as baianas. Realmente, são um símbolo do Brasil e do Carnaval. Qdo criança, minha fantasia preferida era de baiana, mas o que eu gostava mesmo era dos balangandãs...rs
Não pude deixar de ler o comentário da Silvana sobre o Galo da Madrugada. O Dom fez um artigo sobre ele no domingo, dia 14. O Galo é considerado o maior bloco carnavalesco do planeta.

Bjos ;)

Denise Guerra disse...

Oi Suzy, que legal este encantamento das bahianas e seus balangandãs! Vou passar por lá pra ver o Galo. A Silvana tá com problemas no blog dela será que vc sabe alguma solução? Depois vou te pedir uma consultoria. Bjs!

Anônimo disse...

Ola Denise

Adorei este blog estou promovendo um festival de comida de angu na minha cidade .Voce teria alguma ideia para me passar tais como decoração , cartazes . convites sera na semana de conscienca negra .

Um abraço
Denise F. Cunha

♫ESCOLA DE MÚSICA PENTAGRAMA♫ Direção Mapinha * Músico-Professor♫

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*"Capoeira é de Todos e de Deus. Mundo e gentes têm mandinga, Corpo tem Poesia, Capoeira tem Axé"*

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*Frase do Livro "Feijoada no Paraíso" Besouro*
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♫SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS♫

  • *CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.
  • *COSTA, Clarice Moura. O Despertar para o outro: Musicoterapia. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
  • * FREGTMAN, Carlos Daniel. Corpo, Música e Terapia. São Paulo: Editora Cultrix Ltda,1989.
  • *EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.
  • * FREYRE, Gilberto. Casa grande e Senzala. 50ª edição. São Paulo: Global Editora, 2005.
  • *HOBSBAWN, Eric J. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
  • *LOPES, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
  • *_________. Dicionário Escolar Afro-Brasileiro. São Paulo: Selo Negro, 2006.
  • *_________. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • *_________. O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical: Partido Alto, Calango, Chula e outras Cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
  • PEREIRA, José Maria Nunes. África um Novo Olhar. Rio de Janeiro: CEAP, 2006.
  • *RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • *ROCHA, Rosa M. de Carvalho. Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro: Uma proposta de intervenção pedagógica na superação do racismo no cotidiano escolar. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006.
  • *___________. Educação das Relações Étnico-Raciais: Pensando referenciais para a organização da prática pedagógica. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.
  • *ROSA, Sônia. CAPOEIRA(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *__________. JONGO(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *___________. MARACATU(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *SANTOS, Inaicyra Falcão. Corpo e Ancestralidade: Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
  • *SODRÉ, Muniz. Samba o Dono do Corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
  • TINHORÃO, José Ramos. Música Popular Brasileira de Índios, Negros e Mestiços.RJ: Vozes, 1975.
  • _________ Os sons dos negros no Brasil. São Paulo: Art Editora, 1988.