
“Os jovens atores negros, guiados pelo diretor do espetáculo José Fernando Azevedo, mergulharam fundo. Em cena, o que se vê é, ao mesmo tempo, a vida de uma mulher negra no fim dos anos 50 e o que esses atores, com toda certeza do mundo, já sentiram na própria pele. É um documento e, ao mesmo tempo, é atual. É histórico e é contemporâneo, a tal ponto que em nenhum momento sente-se falta do famigerado didatismo que tantas vezes contamina peças adaptadas de livros.
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(...) Com perucas loiras mal ajambradas na cabeça, números musicais que parodiam os filmes de Hollywood de maneira cortante - uma explicitamente falsa Doris Day dança pelo palco abraçada a um vestido de primeira comunhão, enquanto canta as agruras de não ter comida pra dar aos filhos... - o elenco inteiro dá um show.
(...) Com perucas loiras mal ajambradas na cabeça, números musicais que parodiam os filmes de Hollywood de maneira cortante - uma explicitamente falsa Doris Day dança pelo palco abraçada a um vestido de primeira comunhão, enquanto canta as agruras de não ter comida pra dar aos filhos... - o elenco inteiro dá um show.
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(...) Interessante é que a miséria do tempo de Carolina era dolorida, como a miséria de hoje, mas não tinha a marca da violência. Ainda não se falava de criminalidade como sinônimo de miséria. E isso espanta: a mãe quer comprar sapatos para os filhos para que eles possam ir à escola e ser alguém - e não para que tentem escapar das quadrilhas e das polícias. A peça termina de maneira quase brusca, porque - no fim das contas - aquela história não termina nunca".
(...) Tentem não perder a peça. É um espetáculo de primeira grandeza em meio a tantos falsos brilhos de nossos palcos."
Mário Viana – Jornalista e dramaturgo site www.olharesloiros.blogspot.com
(...) Interessante é que a miséria do tempo de Carolina era dolorida, como a miséria de hoje, mas não tinha a marca da violência. Ainda não se falava de criminalidade como sinônimo de miséria. E isso espanta: a mãe quer comprar sapatos para os filhos para que eles possam ir à escola e ser alguém - e não para que tentem escapar das quadrilhas e das polícias. A peça termina de maneira quase brusca, porque - no fim das contas - aquela história não termina nunca".
(...) Tentem não perder a peça. É um espetáculo de primeira grandeza em meio a tantos falsos brilhos de nossos palcos."
Mário Viana – Jornalista e dramaturgo site www.olharesloiros.blogspot.com
“Impossível negar que o primeiro aspecto a chamar a atenção vem do fato de todo o elenco ser negro. Logo nas primeiras cenas tal característica transforma-se em potência pela forma como é trabalhada- uma busca consciente em harmonizar força poética e consciência crítica.”
Beth Néspoli – Jornalista Estado de São Paulo
Beth Néspoli – Jornalista Estado de São Paulo
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“Da hibridação conceitual, 'Ensaio sobre Carolina' , faz migrar a busca do olhar do campo fabular convencional para a sobreposição de imagens, em sólido mosaico feitos de fragmentos que demonstram sua contundência por si mesmos. Precisão e domínio técnico não lhe faltam.
“Da hibridação conceitual, 'Ensaio sobre Carolina' , faz migrar a busca do olhar do campo fabular convencional para a sobreposição de imagens, em sólido mosaico feitos de fragmentos que demonstram sua contundência por si mesmos. Precisão e domínio técnico não lhe faltam.
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(...) a sensação pulsante é a de que, como atos de Coragem, de vigor político, um outro campo começa a se desenhar por aquele teatro voltado para a criação de novos olhares. De modo semelhante a “Besouro Cordão-de-Ouro”, um chamado à releitura (e ao redimensionamento) do que seja o lugar atual da expressão teatral está sendo lançado.”
Antônio Rogério Toscano - professor na Escola de Arte Dramática/USP e Escola Livre de Santo André - Crítica Revista Camarim.
(...) a sensação pulsante é a de que, como atos de Coragem, de vigor político, um outro campo começa a se desenhar por aquele teatro voltado para a criação de novos olhares. De modo semelhante a “Besouro Cordão-de-Ouro”, um chamado à releitura (e ao redimensionamento) do que seja o lugar atual da expressão teatral está sendo lançado.”
Antônio Rogério Toscano - professor na Escola de Arte Dramática/USP e Escola Livre de Santo André - Crítica Revista Camarim.
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Ensaio sobre Carolina
O espetáculo, que trata de questões como miséria e preconceito racial, é inspirado no livro "Quarto de Despejo", escrito por Carolina Maria de Jesus, moradora de favela, Catadora de papel. (Drama)
Direção: José Fernando Azevedo
Com: Cia. Teatral Os Crespos
No elenco: Maria Gal, Lucélia Sérgio, Mawusi Tulani e Sidney Santiago.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Aos sábados, 20h e domingos, 19h.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Aos sábados, 20h e domingos, 19h.
Ingressos R$10,00.
No espaço Teatro do Anônimo, na Fundição Progresso.
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos
Texto: Carolina Maria de Jesus
2 comentários:
Pela sinopse me parece instigante o espetáculo.
Vamos nessa!
Bjs.
Guará querido, tive o prazer de conhecer o pessoal do grupo os Crespos e de ver outro trabalho deles no caso em vídeo na sexta passada no cineclube Atlântico Negro. O Sidney Santiago que é do grupo fez na novela caminho das índias o papel daquele rapaz que tinha doença mental(lembra-se dele?). Tenho certeza de que é incrível este espetáculo! Bjs!
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