♫AMIGOS DO AFRO CORPOREIDADE♫

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

♫IMPRESSÕES SOBRE A ÚLTIMA NOITE DO BACK2BLACK 30/08/09♫

*Foto 1: Conferência com Damisa Moyo e Gilberto Gil, mediador sr Alberto da Costa e Silva*


*Por Denise Guerra*
Lamentando pela ausência de Graça Marshal que cancelou sua participação por problemas de saúde, o tema desta última conferência era “A África na Construção do Mundo: O Futuro, e as discussões sobre o futuro de África foram latentes, e os motes principais das falas da Zambiana Dambisa Moyo e dos brasileiros Gilberto Gil e Alberto da Costa e Silva foram: Lucidez, veemência, orgulho do pertencimento africano e cobrança sobre as alteridades em relação à África.


Dambisa Moyo discorreu com intenso conhecimento de causa sobre os fatos históricos de diversos períodos e ressaltou fortemente a contemporaneidade africana. A palestrante cobrou coerência e respeito nos olhares para África, e em especial que permitam que a África seja ela por si mesma, dando exemplos dos estereótipos que subjugam a África e os africanos impedindo-os de progredirem como qualquer continente.


Gilberto Gil lembrou um pouco das dívidas da humanidade em relação à África, afirmando também nossas dependências desta matriz genética tida como o berço da humanidade. Nosso ex-ministro da cultura expôs o quadro vergonhoso imposto pelas ajudas humanitárias em áfrica que geralmente chegam com a contra partida dos interesses de explorações inescrupulosas ao continente africano e sua gente.


Segundo a economista zambiana as estatísticas em África hoje são assustadoras: A qualidade de vida regride a passos largos, a área da educação não tem avançado, a expectativa de vida na África caiu de uma média de 52 anos para 47 anos de 2004 para cá, para os neonatos e suas mães os níveis de mortalidade é um dos maiores do mundo, os serviços de infra-estrutura e a saúde encontram-se mais adoentados do que sempre estiveram, a segurança é algo ameaçador.


*Foto2:Paulo Flores e Angelique Kidjo


O passado e o presente da África foram decantados no evento pelos palestrantes, mas, desenharam uma perspectiva de futuro catastrófica se não houver mudanças drásticas, especialmente no modo como o mundo vê e age com a África além do tratamento que dá ao Negro. O conteúdo da oratória pro - África foi mais intenso do que as palavras podem transparecer, todavia, um tema levantado pela platéia e por Marisa Monte na última 6ª feira em muito resume o que falta na África, no Brasil e no mundo como um todo: “Cadê a ÉTICA?!”

Ressalto a participação do mediador Sr Alberto da Costa e Silva, poeta, historiador, africanólogo, observando o quão primoroso é com as palavras e com a síntese das causas discursadas. Intervindo na questão sobre a ética na mídia solicitada pela platéia, o Sr Costa e Silva citou seu grande amigo Guimarães Rosa que dizia que não lia jornais, porque eles só traziam notícias trágicas; e o Sr Costa e Silva prefere concordar com Guimarães Rosa ao invés de cansar suas pestanas com leituras que deprimem e não acrescentam nada.


O músico Gilberto Gil e a economista Dambisa Moyo concordam que quando se trata de África a miséria é mais sensacionalista do que deveria e a ética passa longe das intervenções estrangeiras. No final de sua fala a Zambiana concluiu: “Não digo que não façam nada pela África, mas, que façam melhor!” e o ex-ministro brasileiro complementou: “Precisamos da África por ser esta nossa matriz étnica natural. A humanidade é a natureza africana, e a natureza africana é a humanidade, portanto, cuidemos da África para o nosso bem!”


*Foto3: Mart'nália e o angolano Paulo Flores*



Passando-se aos shows que neste dia teve como tema a “Celebração do Samba”, nossa querida Mart’nália teve a honra de conduzir um dos mais brilhantes e memoráveis encontros já vistos na diáspora africana. Uma preciosidade de gêneros musicais de matriz africana, através das vozes, instrumentos, corpos, poesias, folclore, mitos e divindades afros além de muita cumplicidade.
Mart’nália, como boa prata da Escola de Samba Vila Isabel, abriu o show com a música “Filosofia” do ilustre símbolo da azul e branco Noel Rosa, que por ser tão significativa em relação à marginalização do samba e seus criadores vale apena relembrar:


*FILOSOFIA (Noel Rosa)*
O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indife....rente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava
Dessa gente que cultiva hipocrisia

*Foto4: Mayra Andrade e Margarete Menezes*



Em seguida foi a vez da música folclórica angolana “Humbiumbi” através da leveza da voz de Paulo Flores conclamar a todos para um vôo conjunto. Mais uma interpretação de Paulo Flores com a doce música de Dorival caymmi “É doce morrer no mar” falava deste atlântico que nos separa, Brasil e África, e da mãe de todos os orixás Yemanjá.
A divindade Xangô Deus do fogo e do trovão foi cantado por Margarete Menezes e Angelique Kidjo, contudo, outras evocações ao sagrado se fizeram entoar como o “Milagres do Povo” de Caetano Veloso. Verdadeiras odes ao negro, à negritude, seus heróis, suas pérolas negras, os países da diáspora e a África.


*Foto 5 Dona Ivone e Mart'nalia*

Cada uma das estrelas deixaram seu brilho peculiar num repertório cuidadosamente selecionado, e foi assim que os brasileiros Luiz Melodia, Marina Lima, Rodrigo Maranhão, Maria Gadu fizeram verdadeiros duetos com a cabo-verdiana Mayra Andrade e a cubana Omara Portuondo além dos artistas africanos já citados. Mais um presente dos deuses foi ver nossa grande dama do samba Dona Ivone Lara, apesar da frágil saúde, cantando lindamente e ainda estimulando o público puxando a capela o seu “Tiê” que teve como resposta do público uma sintonia que só os grandes são capazes.


*Foto6:Todos os Artistas cantaram juntos ao final*


As merecidas homenagens e interações musicais passaram a idéia da riqueza multicultural espalhada pela diáspora africana. Retomo um detalhe importante que faltou no evento: mesmo neste último dia com a “Celebração do Samba” e a “Kizomba a festa da raça” interpretada pela sambista Mart’nália, o povo comum do samba não foi visto no Back2Black. Valeu Zumbi?!



*Foto7 e 8: Eu com o amigo Carlos Emídio,profº de Yoga, e na foto 8 com o grande percusssionista Robertinho Silva*

















*Foto 8 e 9:Com os amigos Marcia, Renato e Silvia*














*Foto10 e 11: Aqui com alguns mapas africanos expostos no Back2Black*



















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♫ESCOLA DE MÚSICA PENTAGRAMA♫ Direção Mapinha * Músico-Professor♫

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*"Capoeira é de Todos e de Deus. Mundo e gentes têm mandinga, Corpo tem Poesia, Capoeira tem Axé"*

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*Frase do Livro "Feijoada no Paraíso" Besouro*
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♫SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS♫

  • *CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.
  • *COSTA, Clarice Moura. O Despertar para o outro: Musicoterapia. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
  • * FREGTMAN, Carlos Daniel. Corpo, Música e Terapia. São Paulo: Editora Cultrix Ltda,1989.
  • *EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.
  • * FREYRE, Gilberto. Casa grande e Senzala. 50ª edição. São Paulo: Global Editora, 2005.
  • *HOBSBAWN, Eric J. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
  • *LOPES, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
  • *_________. Dicionário Escolar Afro-Brasileiro. São Paulo: Selo Negro, 2006.
  • *_________. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • *_________. O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical: Partido Alto, Calango, Chula e outras Cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
  • PEREIRA, José Maria Nunes. África um Novo Olhar. Rio de Janeiro: CEAP, 2006.
  • *RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • *ROCHA, Rosa M. de Carvalho. Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro: Uma proposta de intervenção pedagógica na superação do racismo no cotidiano escolar. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006.
  • *___________. Educação das Relações Étnico-Raciais: Pensando referenciais para a organização da prática pedagógica. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.
  • *ROSA, Sônia. CAPOEIRA(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *__________. JONGO(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *___________. MARACATU(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *SANTOS, Inaicyra Falcão. Corpo e Ancestralidade: Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
  • *SODRÉ, Muniz. Samba o Dono do Corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
  • TINHORÃO, José Ramos. Música Popular Brasileira de Índios, Negros e Mestiços.RJ: Vozes, 1975.
  • _________ Os sons dos negros no Brasil. São Paulo: Art Editora, 1988.