*Por Denise Guerra
Tentando elaborar a perda de um excelente cantor, compositor e excepcional dançarino, um ser que segundo as diversas declarações dadas à mídia sobre ele era de uma leveza e amabilidade ímpar, vemos também o lado da corporeidade adoentada advinda de uma imagem corporal desconstruída aos pedacinhos por alguns bisturis como uma flor despetalada.

Michael Jackson cantava quase sempre sobre o amor, aquele que provavelmente fez muita falta para o fortalecimento do seu eu; nosso astro dançava com requintes de floreados podais e gingados sensuais, movendo-se "quase como uma entidade"(comparação feita pelo menino, hoje jornalista, atropelado por Michael Jackson quando esteve no Brasil anos atrás - J.N. 26/06/09). O artista criativo, intempestivo e brilhante não se afinava tão bem com o ser humano triste, frágil e vulnerável no qual se transformou. Quando sentimos na dádiva da vida a alegria de viver vemos transbordar a felicidade, no entanto, a dor, a tristeza e a infelicidade de sentir um 'não pertencimento' pode ser comparado ao estado crítico do Banzo:
"Estado psicológico, espécie de nostalgia com depressão profunda, quase sempre fatal, em que caíam alguns africanos escravizados nas Américas. O termo tem origem ou no quicongo mbanzu, 'pensamento', 'lembrança', ou no quibundo mbonzo, 'saudade', 'paixão', 'mágoa'"(LOPES, 2004, p.99).
É como um caminho para a morte que a pessoa traça inconscientemente, por entender que não pertence a este espaço, meio, mundo. Michael Jackson pertenceu com certeza ao mundo dos astros divinos, mas, não viveu dentro do panteão a que realmente pertencia. Agora talvez, na condição de ancestral, com licença e explicação das palavras de Lopes(2004, p.58) "(...) A figura do ancestral é um símbolo que evoca seus atos; e a máscara ou estátua é o signo que manifesta sua presença espiritual entre os vivos", que lhe seja dado um espaço no astral, e eternizado sua passagem na terra na figura de uma "Calunga" estatueta representativa de qualquer entidade divinizada, ligada a Deus, ao mar e a morte (ibid, p.156). Thanks, Mister Jackson! You'll Be There!
I'll Be There
(Michael Jackson)
You and I must make a pact
We must bring salvation back
Where there is love, I'll be there
I'll reach out my hand to you,
I'll have faith in all you d
Just call my name and I'll be there
Chorus:
And oh - I'll be there to comfort you,
Build my world of dreams around you
I'm so glad that I found you
I'll be there with a love that's strong
I'll be your strength, I'll keep holding on
Yes I will, yes I will (...)
REFERÊNCIAS:
LOPES, Nei. Enciclopédia da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
http://letras.terra.com.br/michael-jackson/ (acesso em 02/07/09)
http://usbrisados.files.wordpress.com/2009/02/jackson.jpg (acesso em 02/07/09)
6 comentários:
MJ era um artista extraordinário, porém uma mente conturbada como demonstrou. Pertinente a relação com o Banzo, Denise! bjs!!
Obrigada por seus comentários sempre tão cuidadosos e carinhosos.É verdade o que vc disse, Ricardo, mas, segundo suas músicas se ele pudesse teria escolhido só caminho do amor como disse em I'll Be There: Where there is love, I'll be there. E nós também desejamos estar lá!Bjs!!!
O caminho do amor...o que mais me impressiona na história de vida de MJ é a violência psicológica que ele sofreu na infância ! Bjs João Carlos
Querido joão Carlos, obrigada por seus comentários! este é o melhor caminho para o qual a música pretende nos levar. Bjs!
O incrivel paradoxo de um homem que segurou o mundo nas mãos mas vergou sob o proprio peso, o mito esgotou o homem.
Chegou a hora em que só havia lugar para um:
Partiu o homem, fraco, falho, cheio de dúvidas e contradiçoes.Permaneceu o mito, o gênio, forte, inabalável, irretocável, renovado e ainda mais forte.
Parabens pelo texto e pela sensibilidade em destrinchar o mito e revelar o homem...
Meu anjo, sua sensibilidade toca como suas teclas dedilhadas de finíssima afinação e harmonia! obrigada pelo lindo comentário! bjs!
Postar um comentário