♫AMIGOS DO AFRO CORPOREIDADE♫

quarta-feira, 15 de julho de 2009

*Workshop de TIMBILA com o Músico Matchume Zango no Maracatu Brasil*

*Por Denise Guerra*
*Matchume Zango tocando Timbila*
*Workshop realizado nos dias 09 e 12/07/09*

O Workshop de Timbila (instrumento criado pelo povo Chope de Moçambique, considerado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade) aconteceu entre os dias 09 e 12/07/2009 no espaço do Maracatu Brasil, no Rio de Janeiro, com diversos instrumentos ao nosso dispor além das três Timbilas de tamanhos pequeno, médio e grande.

O músico e professor de percussão do TEAR, André Sampaio, foi o mediador do curso inclusive porque ele teve contatos anteriores com o músico Matchume Zango em Moçambique, e consequentemente já estava familiarizado com o instrumento Timbila.

Matchume Zango, músico e professor de Timbila, nos recebeu com simpatia e dedicou-se a transpor as barreiras dos costumes e concepções musicais que são diferentes em nossos países. Desta forma, começou o Workshop nos contando sobre a história da Timbila que se confunde com a história do seu povo, os Chopes. Segundo o moçambicano eles não sabem ao certo quando a Timbila foi criada, mas, sabem de sua importância social, política, educativa e cultural.

O visitante disse-nos que este instrumento é tocado no dia-a-dia das famílias e que desde pequeno as crianças têm contato com a Timbila. A Timbila serviu de alento ao povo Chope para aplacar os horrores das guerras sofridas; amenizou o pânico vivido por seus conterrâneos nas perigosas minas de extração de pedras preciosas na África do Sul; harmonizou os diversos eventos sociais das famílias Chopes, como as confraternizações entre eles e com outros povos vizinhos. Arrisco-me a afirmar que este instrumento teve e continua tendo um valor musicoterápico e místico para o povo Chope.

As diversas famílias produzem artesanalmente a Timbila, e o mais incrível é que a afinação desta é feita através das vozes dos artesãos construtores; por isso, cada família tem Timbilas com afinações próprias e no caso de se formar uma banda ou orquestra de Timbilas é importante que venham da mesma família produtora para que a afinação fique mais adequada.

A Timbila é composta em sua parte superior por teclas de madeira de uma árvore especial chamada Moendi; estas teclas são afinadas na escala tonal, mas, com diferenças de comas (subdivisões de uma nota musical) formando um instrumento não temperado (sem afinação fixa); as teclas são percutidas com duas baquetas lembrando o dinâmica do xilofone. Na parte inferior a Timbila é composta por Massalas (um tipo de cabaças que dá em árvores como o nosso coité) e tem tantas Massalas quanto seja o número de teclas do instrumento; os tamanhos das Massalas variam de acordo com o tamanho das teclas; elas fazem então a função de caixa de ressonância, com vibração das membranas que possuem nos orifícios de saída do som.

O som das Timbilas é forte e comporta o acompanhamento de vários outros instrumentos de percussão ao mesmo tempo, sendo ela em geral um instrumento de solo sonoro-ritmico. O workshop seguiu-se com o mestre passando algumas concepções rítmicas para que nós acompanhássemos as Timbilas. Nossos ouvidos acostumados aos sambas, maracatus, forrós etc, se confundiram um pouco com as constantes fusas e semifusas (células rítmicas que expressam andamento rápido) ditadas pelo músico Matchume; No entanto, nos encontrávamos sempre ao final de cada percurso musical.

O nosso workshop foi prestigiado com as presenças de músicos experientes e grandiosos como é o caso do srº Humberto do Jongo da Serrinha. Entre os demais alunos estavam outros músicos, professores e alunos de percussão, além de duas musicoterapeutas (eu e a colega Sinai).

Matchume Zango nos contou que cresceu ouvindo Jazz, Hip-Hop, Semba (fazendo uma ponte com o nosso samba), mas, a influência jazzística foi mais forte. No seu trabalho comumente ele une as concepções contemporânea à música tradicional do seu povo mediada pelo Jazz. Dito isso, passamos no último dia do curso à prática mais elementar preconizada pelo Jazz: o Improviso. O Timbileiro nos deu um tema e a cada volta deste tema um de nós improvisava junto com a Timbila que fazia a base. Além desta prática rítmico sonora ter sido muito prazerosa nos inovou musicalmente, pois, a maioria de nós não tinha se quer conhecimento da existência do instrumento Timbila.

Agradecemos ao músico André Sampaio e ao Maracatu Brasil por terem tornado possível este workshop. Ficamos infinitamente gratos ao músico moçambicano Matchume Zango por sua disponibilidade, cumplicidade musical e por seu carisma!

Quero finalizar ressaltando a energia do povo Chope e seu instrumento Timbila através de uma colocação feita pelo ilustre filho da terra que Moçambique nos enviou: “Antes de falar e andar o povo Chope canta, dança e toca Timbila” (Matchume Zango). Muito obrigada Matchume, Warethwa! (Vá em frente).

*Minha foto com Matchume Zango, Srº Humberto Jongueiro,
André Sampaio e alguns colegas do workshop de Timbila*

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♫SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS♫

  • *CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.
  • *COSTA, Clarice Moura. O Despertar para o outro: Musicoterapia. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
  • * FREGTMAN, Carlos Daniel. Corpo, Música e Terapia. São Paulo: Editora Cultrix Ltda,1989.
  • *EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.
  • * FREYRE, Gilberto. Casa grande e Senzala. 50ª edição. São Paulo: Global Editora, 2005.
  • *HOBSBAWN, Eric J. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
  • *LOPES, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
  • *_________. Dicionário Escolar Afro-Brasileiro. São Paulo: Selo Negro, 2006.
  • *_________. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • *_________. O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical: Partido Alto, Calango, Chula e outras Cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
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  • *RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • *ROCHA, Rosa M. de Carvalho. Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro: Uma proposta de intervenção pedagógica na superação do racismo no cotidiano escolar. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006.
  • *___________. Educação das Relações Étnico-Raciais: Pensando referenciais para a organização da prática pedagógica. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.
  • *ROSA, Sônia. CAPOEIRA(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *__________. JONGO(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *___________. MARACATU(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *SANTOS, Inaicyra Falcão. Corpo e Ancestralidade: Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
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  • TINHORÃO, José Ramos. Música Popular Brasileira de Índios, Negros e Mestiços.RJ: Vozes, 1975.
  • _________ Os sons dos negros no Brasil. São Paulo: Art Editora, 1988.