♫AMIGOS DO AFRO CORPOREIDADE♫

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

* Oxum, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Coração Muxima, sincretismos de Angola, Portugal e Brasil*

*Por Denise Guerra*
*08/12 é o Dia da Orixá Oxum Sincretizada no Brasil pelo catolicismo como Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de algumas cidades brasileiras como Salvador, Padroeira de Portugal, e duplo de Nossa Senhora do Coração Muxima Padroeira de Angola, apesar da comemoração em Portugal e Angola ser em dias diferentes.

Em que Águas, Mares ou Rios tão semelhantes navegaram a Orixá Oxum, Seu Duplo sincrético do Brasil e de Portugal Nossa Senhora da Conceição, e Nossa Senhora do Coração Muxima Padroeira de Angola? Suas histórias vindas das águas dos rios e dos mares se confundem, pois, em torno das águas aparecem para causarem feitos místicos e a devoção do povo. Vejamos as histórias:

ANGOLA - Luanda


A imagem de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como Senhora da Muxima, é uma das mais veneradas e de maior devoção popular em Angola. Vários são os testemunhos transmitidos por padres sobre a devoção do povo a Senhora da Muxima. O cónego Gericota, pároco da Igreja da Muxima no passado século, afirmava que: "....é extraordinária a devoção a Nossa Senhora da Muxima, por parte das pessoas, e até de gentios. Continuava dizendo que se faziam muitas ofertas, desde objectos de ouro, prata, velas, cera, galinhas, óleo de palma, azeite, amendoim e espigas de milho. A forma como a senhora da Muxima é venerada, assume aspectos interessantes, no quadro de um sincretismo entre as tradições Africanas e católicas. As mulheres são as maiores devotas, mas os homens também acorrem com muita frequência.


Fazem-se pedidos para alcançar a fertilidade, ter sucesso, amor, fortuna, curar de doenças especialmente doenças mentais. Para cada pedido, reza-se de uma forma, para pedir amor é de outra forma, ou seja, conforme o pedido assim é a reza.Os crentes conversam com a imagem da Santa como se de uma pessoa intima se tratasse, chegando a altercar, ralhar, disparatar, quando os seus pedidos não são atendidos. Chegam a mandar bilhetes, cartas, requerimentos com pedidos para serem atendidos aqueles que não se podem lá deslocar, ou achem que os seus assuntos são sigilosos que não podem ser revelados a ninguém, a não ser a Santa.

Quando da ocupação de Luanda pelos Holandeses (1641-1648), a imagem da Senhora da Muxima, foi levada para a vila de Massangano. Num dos combates, os Holandeses apoderaram-se da imagem da Santa. Depois de retomada Luanda, em 1648, a imagem foi trazida para Luanda, onde dois moradores da vila da Muxima a reconheceram, quando estava a ser restaurada e levaram-na de volta para a sua Igreja de Origem. A chegada da imagem, foi motivo de grande júbilo e festa para todos os que a veneravam e adoravam. Realizou-se uma procissão em que participaram habitantes de várias regiões.



PORTUGAL - Lisboa

A partir de 1646, o dia 8 de Dezembro passou a ser celebrado em Portugal como o dia de ‘Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal’, através de deliberação datada de 25 de Março desse ano. Dessa deliberação, ficou escrito que nenhum habitante de Portugal poderia contrariar esta promessa, sob pena de ser expulso do país. Do mesmo modo, todo o monarca, que se seguiu a D. João IV, tinha a obrigação de prestar juramento a Nossa Senhora da Conceição, sob pena de lhe ser lançada uma “maldição”.

A partir de D. João IV, todos os monarcas portugueses deixaram de usar a coroa do reino de Portugal. Na própria cerimônia de aclamação, a que os diferentes reis estavam sujeitos, a coroa monárquica não era colocada na cabeça do rei, mas sim a seu lado, como sinal de respeito e gratidão que o país e o próprio monarca deviam a Nossa Senhora da Conceição.


BRASIL - Salvador


A festa em louvor à Nossa Senhora da Conceição da Praia é a mais antiga festa religiosa do Brasil, sendo comemorada desde o ano de 1550. A primeira capela de taipa foi erguida a mando de Tomé de Souza que, segundo alguns relatos, teria ajudado na sua construção. A basílica foi toda edificada em Portugal, em 1623, em estilo gótico . O papa Pio XII declarou a santa padroeira única e secular do Estado da Bahia.


Mas, foi em Salvador que o Candomblé Brasileiro surgiu e o panteão dos Orixás começou a ser cultuado e conhecido a partir desta cidade. Como diz a música que se refere a Salvador: “Nesta Cidade Todo Mundo é D’Oxum”. Conheça um dos Mitos da Orixá Oxum:


UM MITO DE OXUM


Diz o mito que Oxum era a mais bela e amada filha de Oxalá. Dona de beleza e meiguice sem iguais, a todos seduzia pela graça e inteligência. Oxum era também extremamente curiosa e apaixonada. E quando certa vez se apaixonou por um dos orixás, quis aprender com Orunmilá, o melhor amigo de seu pai, a ver o futuro. Orunmilá, cargo de aluo (dono do segredo) não podia ser ocupado por uma mulher, Orunmilá, já velho, recusou-se a ensinar o que sabia a Oxum.

Oxum então seduziu Exu, que não pôde resistir ao encanto de sua beleza e pediu-lhe que roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) de Orunmilá. Para assegurar seu empreendimento Oxum partiu para a floresta em busca das Iyami Oshorongá, as perigosas feiticeiras africanas, a fim de pedir também a elas que a ensinassem a ver o futuro. Como as Iyami desejavam provocar Exu a tempo, não ensinaram Oxum a ver o futuro, pois, sabiam que Exu já havia roubado os segredos de Orunmilá, mas, a fazer inúmeros feitiços em troca de que a casa um deles elas recebessem sua parte.

Tendo Exu conseguido roubar os segredos de Orunmilá, o Deus da adivinhação se viu obrigado a partilhar com Oxum os segredos do oráculo e lhe entregou os 16 búzios com que até hoje as mulheres jogam. Oxum representa assim a sabedoria e o poder feminino.


O Arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas, com paixão pelas jóias, perfumes, roupas. Estas mulheres são símbolos do charme e da beleza, pois, carregam um dom especial de Deusa. Andam e dançam de modo sensual. No seu caminhar está o fluxo dos rios. É a senhora da fertilidade, da gestação e do parto. Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer. Vaidosa, é a mais bela das divindades e a própria malícia da mulher-menina. Oxum é uma das Orixás de maior força no Brasil e contradiz as tradições africanas que exaltam mais o poder dos orixás masculinos.


ORAÇÃO DE OXUM

"Que oxum nos dê a serenidade para agir de forma consciente e equilibrada. Tal como suas águas doces - que seguem desbravadoras no curso de um rio, entrecortando pedras e se precipitando numa cachoeira, sem parar nem ter como voltar atrás, apenas seguindo para encontrar o mar - assim seja que eu possa lutar por um objetivo sem arrependimentos. Oora yeyeoosun!



*Fontes:

Lendas de Oxum: http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusaoxum.htm


http://ixangola.multiply.com/journal/item/53/NOSSA_SENHORA_DA_MUXIMA

http://www.correiodominho.com/cronicas.php

http://www.googleimages.com

http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br

4 comentários:

Guará Matos disse...

Viva Oxum!
Bjs.

Denise Guerra disse...

Oora yeyeoosun! Salve meu querido!

Toni disse...

Oraieiêu, Oxum!
Lindo texto...
Que a mãe Oxum lhe cubra de sabedoria e redobre sua crença, fazendo-a enxergar o amanhã de forma natural, assim como as águas, que fluem naturalmente.
Oraieiêu, Oxum! Aieiêu!

Denise Guerra disse...

Olá meu querido amigo Toni, é um prazer tê-lo por aqui! muito obrigada pela delicadeza das palavras e desejos! Que assim seja! Axé!

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*"Capoeira é de Todos e de Deus. Mundo e gentes têm mandinga, Corpo tem Poesia, Capoeira tem Axé"*

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♫SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS♫

  • *CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.
  • *COSTA, Clarice Moura. O Despertar para o outro: Musicoterapia. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
  • * FREGTMAN, Carlos Daniel. Corpo, Música e Terapia. São Paulo: Editora Cultrix Ltda,1989.
  • *EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.
  • * FREYRE, Gilberto. Casa grande e Senzala. 50ª edição. São Paulo: Global Editora, 2005.
  • *HOBSBAWN, Eric J. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
  • *LOPES, Nei. Bantos, Malês e Identidade Negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
  • *_________. Dicionário Escolar Afro-Brasileiro. São Paulo: Selo Negro, 2006.
  • *_________. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • *_________. O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical: Partido Alto, Calango, Chula e outras Cantorias. Rio de Janeiro: Pallas, 1992.
  • PEREIRA, José Maria Nunes. África um Novo Olhar. Rio de Janeiro: CEAP, 2006.
  • *RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • *ROCHA, Rosa M. de Carvalho. Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro: Uma proposta de intervenção pedagógica na superação do racismo no cotidiano escolar. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006.
  • *___________. Educação das Relações Étnico-Raciais: Pensando referenciais para a organização da prática pedagógica. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.
  • *ROSA, Sônia. CAPOEIRA(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *__________. JONGO(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *___________. MARACATU(série lembranças africanas). Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
  • *SANTOS, Inaicyra Falcão. Corpo e Ancestralidade: Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
  • *SODRÉ, Muniz. Samba o Dono do Corpo. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
  • TINHORÃO, José Ramos. Música Popular Brasileira de Índios, Negros e Mestiços.RJ: Vozes, 1975.
  • _________ Os sons dos negros no Brasil. São Paulo: Art Editora, 1988.